quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Somos Espíritos: O espírito do natal é Jesus

Somos Espíritos: O espírito do natal é Jesus: Que sua alma seja inundada pela alegria, paz e amor que vibram na recordação do Menino Jesus. E que essas vibrações transbordem pa...

O espírito do natal é Jesus

Presépio - GIFMANIA


Que sua alma seja inundada pela alegria, paz e amor que vibram na recordação do Menino Jesus. E que essas vibrações transbordem para cada dia dos anos novos.

Estaremos juntos! 
Cristina h. Rocha

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Bem fazer o Bem

                                                   Xilogravura: Bonifacio Feitosa


Por: Cristina H. Rocha

Atualmente há grande visibilidade de grupos e pessoas  que trabalham na intenção de fazer o bem.  Entretanto, ajudar as pessoas não é tão simples quanto parece. Vamos refletir sobre esse assunto?

A motivação
"A prática do bem leva a pessoa a alcançar evolução espiritual, conquistar uma boa situação no pós-morte ou em vidas futuras." Que tal analisar esse pressuposto?
Se a sua intenção ao fazer o bem está baseada nas questões acima, significa que o foco do benefício é você mesmo.  É uma ação fundamentada na troca. Alguns dizem: tudo na vida é uma troca. Porém, se a intenção é a troca, então seria a vida uma relação de negócios espirituais e materiais?  É preciso analisar também se a prática da caridade não está relacionada a um sentimento de culpa. Vou compensar o mal que fiz fazendo o bem. Da mesma forma, o foco está em receber algo para si. Tente isso: vou buscar minha iluminação interior, para mudar meus paradigmas, descobrir uma outra forma de agir na vida, e assim vou beneficiar os que amo e o mundo que alcanço.  O bem. tem a ver com semear, cuidar e seguir em frente sem ansiedade pela colheita, com a mente e o coração no agora. É abrir os canais da fonte do amor possível, que espontaneamente se junta a outros veios, córregos formando rios até chegar ao mar do amor incondicional. Talvez fazer o bem não seja mais do que tornar-se passagem das bençãos materiais e divinas para alguém.

Estender a mão
Há uma diferença bem grande entre estender a mão para que o outro apoie e saia do abismo e se jogar no abismo junto com a pessoa para tentar salvá-la. Quando queremos ajudar alguém, algumas vezes nos colocamos em posição de resolver o problema  da pessoa, ao nosso modo. Analisamos a vida do outro pela nossa referência, projetamos necessidades e sentimentos que geralmente não correspondem à sua realidade. Nossa ação está algumas vezes ligada aos nossos pré-conceitos de bem, mal, merecimento, entre outros. `Por exemplo: será que estamos olhando o outro como “coitado”?  Neste caso, acabamos por anular a potência e o poder de decisão da pessoa. Teremos uma atitude invasiva, que pode contribuir para manter a mesma situação que desejamos mudar e ainda estabelecer relação de dependência. Essa dependência pode gerar a ilusão de que somos bons. Mas na verdade construímos uma relação doentia que leva à estagnação.

Dicas simples
  •       Antes de fazer qualquer coisa pelo outro pergunte-lhe: você quer que eu faça isso?
  • ·        Nunca se dirija à pessoa dizendo: faça isso, faça aquilo. É como se dissesse: eu sei o que é melhor para você. Além disso a pessoa pode ver você como responsável pelo resultado daquela ação. O melhor é ouvir. Mostrar-se disponível.  Se necessário sugerir alguma coisa, nunca direcionar as escolhas que cabem somente à pessoa.
  • ·        Se possível colabore para que as pessoas próximas  desenvolvam a autonomia, os talentos, a autoestima e a autoconfiança.
  •      Acolha, abrace e permaneça ao lado das pessoas que passam por perdas e situações difíceis. Não se aproveite do momento para fazer conversão da pessoa a qualquer crença.  Se a pessoa estiver aberta para  uma conversa filosófica ou religiosa, aguarde o momento agudo passar. Porém, tenha em mente  que é um diálogo de não a exposição / imposição de UMA verdade. Na hora da dor mais intensa, é a presença que lhe  aquecerá a alma.
  •      Se desejar participar de um trabalho voluntário, seja constante. A presença irregular, sem compromisso prejudica o trabalho do grupo todo. Amor, dedicação e compromisso. Ou aguarde outro momento mais propício para participar.
Assessoria espiritual e evolução
Às vezes, por pertencer a projetos que ajudam a mudar a realidade de muita gente, acreditamos que evoluiremos muito. Deste ponto de vista, a evolução está ligada à quantidade pessoas que ajudamos. A prática do bem pode conquistar assessoria espiritual para quem a realiza. Ou seja, atrai: a gratidão das pessoas, o carinho dos amigos espirituais dos atingidos pela ação beneficente, o amor por aquele que ajudou.  Esse contexto forma um campo energético que nos defende e atua em nosso favor de diversas formas. Mas nada disso substitui a iluminação interior. A luz de fora não se transporta para dentro automaticamente. A iluminação do espirito acontece aos poucos, por meio trabalho de autoconhecimento; pelo desenvolvimento do amor, da capacidade de compreender e respeitar a vida; da conexão profunda com o divino que pulsa em cada ser. Na distração da sociedade materialista em que vivemos, o bem se faz mais necessário que nunca. Mas a sabedoria e o amor generosamente compartilhados é que promovem a  transformação.

Fazer o bem, sempre. Não por medo da outra vida, não para amenizar a culpa, não como uma troca, não como uma invasão nas escolhas alheias. . Mas para levar graças e alegria por onde passe, por sentir compaixão (não pena), por e repeito às pessoas,e à natureza, por um sincero impulso da alma e do coração. Por amor, enfim. Assim brilha a sua luz.. 


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Em primeira pessoa


Por Cristina H. Rocha

Nos encontramos no ônibus. Não mais de 55 anos era sua idade. Bilhete sem crédito, cobrador sem troco. A mulher briga com o cobrador, por fim fica para descer pela frente. Senta ao meu lado. Puxa conversa. Ela me disse (para mim e para todos os passageiros):

-Depois que tive o câncer (tirei um pedaço do estômago) entendi que eu precisava me amar mais. Cuidar mais de mim, não me importar tanto com os outros. Não vou mais engolir nada (esfregando o dedo indicador na garganta). Foi por eu ser boazinha que tudo aconteceu. A gente fica dizendo amém para tudo, as pessoas abusam, a gente fica com raiva. Aí quando fica doente, cadê?  Ninguém quer saber. O povo parece que some. Mas aí a gente sabe quem é amigo de verdade. É nessas horas....

Não me lembro, acho que respondi um “pois é, né? ” empolgada que estava com minha leitura. Mais tarde me pus a refletir. Quantas vezes ouvi em palestras, workshops, vídeos, conversas, o mesmo que aquela senhora me disse? Por que razões apenas repetimos o que nos dizem, ou mais profundo ainda, acreditamos no “tanto dizer” dos outros? Para que colocamos em nossa alma tais superficialidades?

Quando eu estive com câncer, duvidei de tudo isso. E tive tempo de olhar, observar, sentir, aprender. A doença é para isso? Não sei. Não sou Guru, sábia ou sacerdotisa para afirmar o sim e o não, as causas, as origens nos meandros do passado, presente e futuro das dores, alegrias e complexidades de um ser humano.

Só poderia responder a essa senhora, dizendo como foi o processo para mim. 

"Cara senhora, o que apresento aqui é apenas um jeito de olhar.

Quando eu estive com câncer, entendi que talvez, de alguma forma, tenha ultrapassado meus limites emocionais, profundos, simbólicos, não sei se isso correu ou quando. Algo impreciso colaborou para levar meu sensível e vulnerável sistema imunológico à loucura. O câncer é isso afinal.

Esse estado despertou a consciência de que era preciso cuidar mais de mim, de minha saúde, meu modo de vida, meus hábitos em todos os sentidos. 

Também havia a necessidade de aprender a dizer, vez ou outra, um não a pessoas queridas. Isso apenas para estabelecer o limite entre eu e o outro ou definir até onde é permitida a ação do outro em minha vida.

Ah, claro! Consegui primeiro me conformar, depois de algum tempo aceitar, com tranquilidade, ouvir um não às minhas solicitações. “Você pode ir comigo à quimio hoje? ”. “Cris, hoje não dá”. “Ok posso te ligar na próxima? ”

Nunca achei necessário cobrar do outro reconhecimento ou gratidão. Ah, como isso se mostrou ainda mais forte para mim quando estive com câncer!  Se porventura algum dia ajudei alguém, que bom! Isso me deu força para lutar pela minha saúde, não me adoeceu.

Algumas pessoas podem ter se afastado, é verdade. Talvez, observar o limite entre a vida e a morte em pessoas próximas, as fez entrar em contato com a própria morte. Muitos não conseguem ou não sabem enfrentar essa situação. E se afastam. Isso nada reduz meu amor por eles.

Outros amigos, distraídos em seus afazeres e compromissos cotidianos, esqueciam, preenchiam suas agendas com outras coisas. Se fosse o contrário? Uma pessoa como eu, apaixonada pelo trabalho, com uma rotina apertada, não faria isso também? Para esses eu telefonava. Conversava sobre coisas importantes e amenidades. Pedia e aceitava ajuda, ainda que não viessem me oferecer. Eu os amo também.

O limiar da morte ressaltou aos meus olhos a importância de cada pessoa, cada momento. Assim, se houve pequenas ou grandes renúncias do passado em favor da paz ou da alegria de alguém, nunca me arrependi. Isso não me trouxe a doença, mas aumentou as vibrações, energias e mobilizou as  tantas pessoas que  me ajudaram a conquistar a cura.

Depois que estive com câncer, me tornei mais responsável com a saúde, mais bonita, mais objetiva e segura nas minhas decisões. 

Aprendi a dizer não, sem fazer disso um escudo ou uma arma. Valorizo hoje como nunca meus amores com suas características peculiares, sem intenção de converter ou convencer ninguém a ser desta ou daquela forma. Se coloco meu ponto de vista com certa ênfase (certas coisas não mudam) tento ser respeitosa, clara e objetiva. Se os que me conhecem  avaliarem que não é vem assim, posso garantir, isso tudo eu tento. A todos e a cada um sou imensa e profundamente grata.

Acima de tudo, querida senhora, companheira casual de viagem na vida e no ônibus, aprendi a celebrar. Celebro cada gota de água, cada prato de comida, cada abraço e cada beijo. Celebro as festas, as lutas, as emoções. Faço aniversário todos os dias. Sempre que posso, brinco, canto, viro criança, viro velha. Conto histórias, invento enredos, poemizo algumas vezes. Estudo as teorias e as coisas simples me atraem. Celebro o funcionamento de minhas células, as escolhas de cada dia. Celebro a família, os amigos, o amor. Como eu disse, senhora, é só um jeito de olhar."






terça-feira, 8 de abril de 2014

Ciência e Espiritualidade

Há muito tempo se observa, mesmo empiricamente, que pessoas que tem fé, que cultivam  a espiritualidade em quaisquer de suas manifestações, tem melhor recuperação em casos de tratamentos de saúde.

O preconceito e a suposta oposição entre religião/ fé e ciência, cultivada por alguns cienticistas ao longo do tempo,  disseminou a visão de que ciência é sinônimo de verdade e a fé é "misticismo", "fantasia" ,
Felizmente porém, cientistas em diversas partes do mundo estão pesquisando seriamente o mecanismo pelo qual a fé propicia melhor resposta a tratamentos e maior índice de cura.

Por exemplo, em reportagem do Jornal Zero hora de 04/04/2014,a médica psiquiatra Anahy Fagundes Dias Fonseca afirma que uma investigação do National Institutes of Health mostra a religião como responsável pela melhora em até 80% diferentes desfechos clínicos, principalmente casos de hipertensão, doenças cardíacas, cerebrovasculares e gastrointestinais, disfunção imunológica, câncer e dor.

Estamos cada vez mais conscientes que não somos apenas  apenas um corpo, mas temos uma natureza muito mais complexa, misteriosa e profunda. Portanto a saúde é abrangente.. Refere-se ao ser humano em sua plenitude: corpo, mente, emoções e espírito. Quando um desses elementos é afetado, haverá repercussão em todos os outros aspectos. Assim, o tratamento e a busca da cura para doenças diversas nunca pode se restringir apenas a um único ponto de vista, o do corpo com suas sinapses, sínteses e movimentos.

Há algo invisível agindo no corpo, uma força que direciona e afeta as células. A fé acessa essa energia que leva a pessoa a  ter  horizontes diferentes daqueles prognósticos desanimadores,  que muitas vezes os exames mais modernos apresentam. É assim que, mesmo diante da morte inevitável, essa força não cessa, levando a pessoa a uma atitude corajosa nesse momento crucial. . A crença na espiritualidade  coloca a morte na perspectiva de transição e não do fim da existência.   

Ao contrário do que afirmam os céticos,  a fé não alimenta uma esperança vazia ou infantil na cura. Cultivar a espiritualidade promove a saúde, a força interior, conexão do "eu"com o Universo. É a presença de Deus acesa na alma humana, que se mobiliza em defesa da vida plena.

Leia a reportagem no link abaixo 

Pesquisadores debatem relação entre ciência e espiritualidade


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Prismas da fé


Muitas pessoas têm uma ideia de que a fé serve como muleta diante dos problemas da vida. Alegam que a em nome da fé as pessoas ficam esperando milagres e não fazem a parte que lhes cabe nos momentos difíceis e de decisões. São os céticos, que se preocupam tanto em destruir a fé alheia, que acabam passando mais tempo mobilizados por ela do que os crentes.

De fato, não podemos negar que muitas pessoas agem dessa forma. Quando a fé é pautada em dogmas rígidos, acaba cristalizando conceitos, transformando-os em preconceitos. Rivaliza com a ciência e outras formas de pensar e de crer, estimulando o pensamento infantilizado e a moral rígida.

Entretanto, quando a fé é abrangente, não se preocupa com a imposição de pontos de vista, é uma poderosa ferramenta de crescimento pessoal que orienta nossa ação no mundo e alimenta a esperança. Apenas alguns pontos para refletir.  
1.       Humildade

A fé nos conduz ao respeito pela vida. Todo tipo de vida. Nos irmana como ensinou Francisco de Assis, a toda a natureza e ao Universo. A vida é divina, pois todos os elementos da natureza se movem em ciclos, se transformam. Que força mantém esse movimento? Mecanismos movidos pela química, sem o sopro divino não geraria vida independente. Mas é preciso que se diga: não podemos aderir à ideia antropocêntrica de que “toda a natureza foi criada para nós, humanos”.  A nossa complexidade não indica privilégios de existência no planeta. Essa crença tem levado a depredação ambiental e até mesmo à extinção de diversas espécies de seres vivos. Somos uma das espécies habitantes de um planeta pequenino em um gigantesco universo. Por isso, a fé em um Criador, deve nos levar à humildade. Nada no mundo, nenhum conhecimento ou beleza se compara a dança dos astros no céu profundo.

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2.       Poder
Como parte da natureza e dentro da vida que não criamos nem somos capazes de criar, pois só a vida gera vida, somos únicos. Essa singularidade nos “empodera”. Somos potentes, temos a possibilidade de algumas escolhas, construímos nossa individualidade. Como membros da espécie humana não fugimos às leis naturais de vida e morte. Isso nos revela que estamos sujeitos a uma força que é maior que nós, portanto não estamos atirados no mundo de modo aleatório e solitário. Produzimos cultura, signos, ferramentas.  Em nossa psique convivem o passado, o presente e o futuro, que podemos acessar pela vontade própria.  A fé, junto com a capacidade de reflexão, nos indica que essa Força Criadora existe e nela podemos nos inspirar. A meditação, a prece, os rituais nos levam a sentir de modo profundo a presença divina. Conectados a ela acessamos a seu potencial, de acordo com a nossa capacidade. Nosso poder  assim  se amplia,  na  possibilidade de aprender,  lutar, realizar escolhas,  amar.   
3.       Alteridade
Ligados ao Criador, que é fonte da vida, não cabem atitudes egoístas e egocêntricas, pois o outro, seja ele um santo ou assassino, foi gerado por um poder superior. Somos seres conscientes, podemos aprender com as experiências alheias, transmitir nossos valores. Estamos interligados em um grande oceano de vida. Influenciamos e somos influenciados todo o tempo, Por isso, nossa ação no mundo afeta todos os outros seres que estão mergulhados na vida. Interessante essa perspectiva de Paulo: “em Deus nos movemos e existimos como peixes em um oceano” (Atos 17:28.)  .  O hálito divino nos embala e inspira em nossas lutas. Amplia nossa consciência.  É preciso estar atento. 
A fé, dessa forma, transcende o “crer”. É inquieta, não tem dogmas. Por isso não se abala facilmente. Consegue dialogar com a ciência e com todas as teorias que se pautam pela ética, pelo respeito à vida, pela busca do equilíbrio individual e social. Viver com fé é ter horizonte.
VEJA TAMBÉM:
Fé: necessidade, conquista, sensibilidade. A alma em conexão com a espiritualidade

terça-feira, 11 de junho de 2013

Jesus: uma simples proposta, grandes mudanças

Sempre tive interesse em entender o grande impacto que Jesus  provocou  na humanidade. Outros mestres, como por exemplo Buda, compareceram á Terra pregando a compaixão e o desprendimento, agregam seguidores e muitos fiéis até os dias de hoje. Mas Jesus está profundamente ligado aos  paradigmas atuais  manifestados em leis que regulam a visa social, em conceitos de verdade, certo e errado que servem de referência à formação individual. .

 Em visita a lugares históricos observei o contexto em que Ele  viveu.  As populações politeístas ou os Judeus, todos construíam templos  gloriosos para seus Deuses ou seu Deus. As ações da vida cotidiana  eram extremamente ligadas às obrigações e concepções ditadas pela religião dominante. Há centenas, milhares de anos o ser humano prestou culto às divindades, atribuindo a sacerdotes, iniciados ou líderes inspirados o poder de vida, morte, controle dos fenômenos naturais, com as oferendas aplacadoras da ira de divindades materializadas em estátuas ou em outras formas de representação..  O templo de Apolo em Didin (Turquia), com suas 72 colunas de mármore trabalhadas ricamente, medindo 20 metros de altura, que apresenta esculturas maravilhosas e locais próprios para rituais,  é algo de se  admirar. Obra maravilhosa da engenharia humana antiga, não foi construída para um uso relacionado à necessidade básica de moradia, mas apenas para reverenciar um Deus: Apolo. Apenas os ricos poderiam acessar mais facilmente o benefício dos Deuses, e os sacerdotes eram os intermediários necessários a essa relação com o divino. Nos sentimos pequenos e insignificantes diante da grandeza das colunas.Não por acaso, alguns povos conquistados pelos romanos abriam mão de seus desuses primitivos para aderirem aos cultos romanos, muito mais  portentosos. O Templo de Jerusalém também era grandioso, os doutores da lei interpretavam a vontade de Deus para o povo. 

Então, vem Jesus. Sem autoridade política, uma pessoa simples, do povo. E começa a trazer para as pessoas a consciência de que Deus é acessível a qualquer ser humano. Alertou para o fato de que todas aquelas construções  grandiosas eram materiais e Deus é Espírito. E todos somos seres espirituais, independente da posição social ou política que o mundo nos atribua. Poderosos e escravos são irmãos, como seres humanos filhos de Deus. Ou seja,  Jesus empoderou o povo, abalou toda a estrutura filosófica, política e religiosa ao retirar dos sacerdotes e líderes o poder sobre o espírito de cada um. 

Imagino agora o choque que ele  provocou, andando ao lado de pescadores, pessoas do povo, ensinando chamar Deus de Pai e apresentando por Templo a natureza, o corpo. Que ira e insegurança deve ter causado aos poderosos. Que consolo e alento para parte  do povo que conseguia perceber ali a esperança de dias melhores. A discrepância de sua proposta em relação ao que havia de mais sagrado e caro a toda uma cultura desde milênios, tornava para muitos, inconcebível suas idéias. Corajoso. Jesus foi muito corajoso na sua humildade e na fidelidade aos seus princípios e à sua tarefa..Três anos fazendo essas idéias transformadoras circularem pela população. Para aderir a esse Deus Pai, a pessoa prescindiria de iniciação, rituais ou dinheiro. Por isso Ele sabia que pagaria um alto preço. Era uma mudança , uma ruptura profunda, interna, externa, individual e social. 

Mas o ser humano é criativo. Apegado a ideias de poder sobre Céu e Terra, recriou os rituais, a necessidade de Sacerdotes Iniciados para ter contato com Deus. Levantou novamente templos de mármore e ouro, e segue séculos afora, atribuindo a essa estrutura de riqueza e poder a continuação das idéias de Jesus. Por isso, o Evangelho é referência para a elaboração de leis mais humanas, para constituirmos nosso conceito de ética. Porém, na prática, o ser humano apenas segue, conectado ao mundo, porém a mente, o coração, e a espiritualidade desconectados entre si.  O Céu,  a vida, Deus, o Amor são percebidos e tratados como mercadorias. Então, esquecemos o essencial: somos espíritos. Somente a simplicidade
nos fará plenos...
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