terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Para conhecer o espiritismo leia Kardec.Para conhecer Kardec, leia a Revista Espírita



É muito interessante notar que os espíritas, na maior parte das vezes, apresentam o pensamento de  kardec baseados no conhecimento de seus livros, com destaque para "O livro dos espíritos", "O evangelho segundo o espiritsmo" e "A gênese".  Entretanto, estes livros "básicos", são na verdade a síntese de um processo de construção e consolidação de uma filosofia. Para chegar a este "corpo didático", representado pelos livros, há oculto um caminho desde o professor Rivail, pesquisador, educador, tradutor, intelectual céitco ao Allan Kardec, pseudônimo que revela sua "revolução íntima" a partir do contato com os fenômenos espirituais. Na biografia escrita por  Zêus Wantuil e Francisco Thiesen (pag 38), há o seguinte trecho sobre Rivail educador: "(...)Conforme assinalara a escritora inglesa Anna Blackwell, que o conheceu de perto, aquele espírito "ativo e tenaz" era "precavido até quase a friez, céptico por natureza e por educação."
E ainda
"(...)Aliás, cerca de trinta anos antes, quando Rivail tinha apenas 24 primaveras, sua preocupação científica e seu caráter eminentemente positivo o fariam escrever numa obra sobre a educação pública: "Aquele que houver estudado as ciências rirá, então, da credulidade supersticiosa dos ignorantes. Não mais crerá em espectros e fantasmas.Não mais aceitará fogos-fátuos por espíritos."
Mesmo após assumir o compromisso de organizar e discutir o  que veio a chamar de "espiritismo", o caráter de pesquisa, perquirição e argumentações bem fundamentadas estiveram  sempre presentes. Encontramos na Revisa Espírita parte deste percurso, bem como o pensamento mais abrangente de Kardec expresso na sua relação com o conheciemnto formal, com outros pesquisadores, bem como discussões sobre os mais diversos assuntos correntes na época. Como exemplo deste "espírito pesquisador" e de sua luta para incluir a espiritualidade no campo da pesquisa séria e coerente, bem como a demonstração de sua preocupação com os rumos do movimento espírita, coloco aqui fragmentos de uma carta, publicada na "Revista Espírita" de fevereiro de 1862. Esta carta nos dá também uma  idéia do Homem Allan Kardec,

RESPOSTA DIRIGIDA AOS ESPÍRITAS LIONESES
POR OCASIÃO DO ANO-NOVO

"(...)Agradeço-vos, meus bons amigos, os votos que formulais; eles me são tanto mais agradáveis quanto sei que partem do coração, e são estes que Deus ouve. Ficai satisfeitos, porque ele os acolhe diariamente, dando-me a alegria inaudita no estabelecimento de uma nova doutrina, de ver aquela a que me devotei crescer e prosperar, em meus dias, com extraordinária rapidez.
(...) No ponto em que hoje as coisas se acham, e levando-se em conta a marcha do Espiritismo através dos obstáculos semeados em seu caminho, pode-se dizer que as principais dificuldades estão vencidas. Ele  tomou o seu lugar e assentou-seem bases que doravante desafiam os esforços de seus adversários.
 (...) A tática já posta em ação pelos inimigos dos espíritas,mas que vai ser empregada com novo ardor, é a de tentar dividi-los,criando sistemas divergentes e suscitando entre eles a desconfiança e a inveja. Não vos deixeis cair na armadilha e tende como certo que aquele que procura, seja por que meio for, romper a boa harmonia, não pode estar animado de boas intenções. Eis por que vos exorto a guardar a maior prudência na formação dos vossos grupos, não só para a vossa tranqüilidade, mas no próprio interesse dos vossos trabalhos. A natureza dos trabalhos espíritas exige calma e recolhimento. Ora, não há recolhimento possível se somos distraídos pelas discussões e pela expressão de sentimentos malévolos. Se houver fraternidade não haverá sentimentos de malquerença; mas não pode haver fraternidade com egoístas, com ambiciosos e   orgulhosos. Com orgulhosos, que se escandalizam e se melindram por tudo; com ambiciosos, que se decepcionam quando não têm a supremacia, e com egoístas que só pensam em si mesmos, a cizânia não tardará a ser introduzida e, com ela, a dissolução. É o que gostariam os inimigos e é o que tentarão fazer.
Se um grupo quiser estar em condições de ordem, de tranqüilidade, de estabilidade, faz-se mister que nele reine um sentimento fraternal.
(...) Visando a desacreditar o Espiritismo, pretendem alguns que ele vai destruir a religião. Sabeis que é exatamente o contrário, pois a maioria de vós, que mal acreditáveis em Deus e na alma, agora crêem; quem não sabia o que era orar, ora com fervor; quem não mais punha os pés nas igrejas, a elas vão com recolhimento.Aliás, se a religião devesse ser destruída pelo Espiritismo, é que ela seria destrutível e o Espiritismo mais poderoso. Afirmá-lo seria falta de habilidade, porquanto seria confessar a fraqueza de uma e a força do outro. O Espiritismo é uma doutrina moral que fortalece os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões; é de todas, e não pertence a nenhuma em particular. Por isso não aconselha a ninguém que mude de religião. Deixa a cada um a liberdade de adorar Deus à sua maneira e de observar as práticas ditadas pela sua consciência, pois Deus leva mais em conta a intenção que o fato. Ide, pois, cada um, ao templo do vosso culto (grifo meu), e assim provareis que vos caluniam, quando vos acusarem de impiedade.
(...)Novos filhos na grande família, eles vos saúdam, companheiros de Lyon, como seus irmãos mais velhos, formando, desde agora, um dos elos da cadeia espiritual que já une Paris, Lyon, Metz, Sens,Bordeaux e outras, e que em breve ligará todas as cidades do mundo num sentimento de mútua confraternidade; porque em toda parte o Espiritismo lançou sementes fecundas e seus filhos se dão as mãos por cima das barreiras dos preconceitos de seitas,  castas e nacionalidades. Vosso dedicado irmão e amigo,
Allan Kardec "
(Revista Espírita, fev de 1862, pags 58 a 65)
Aconselho que leiam esta carta na íntegra. Tantas são as orientações  e os arugmentos em favor de uma posição mais fraterna e coerente entere os espírtas que se assemelham às espístolas de Paulo aos Cristãos.: são palavras atiradas ao furturo  Leia Kardec para entender o espiritismo, mas leia a Revista espírita para entender Kardec.

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Jesus, este divino humano


Jesus não inventou uma religião, uma insituição ou um título.Vivenciou e transformou conceitos e paradigmas. Uma revolução tão intensa que a humanidade não suportou e teve que criar hierarquia e mecanismos de preservação dos mesmos modelos anteriores a Cristo: troca de favores e dinherio, centralização do poder, entre outrras formas de dominação. Mas o impacto das palavras e da sabedoria de Jesus, com suas histórias, curas, fenômenos, autoridade e amor, repercute não apenas na mente, mas na essência humana. É interessante pensar no modo como as pessoas da época o percebiam. Maria, uma menina, no conceito de hoje uma adolescente, com um menino encantador em seus braços.  Filho de carpinteiro, certamente foi um profissional desta área. Provavelmente era uma pessoa alegre, as crianças o amavam. Sua vida simples, nada deveria ter da pompa  e dos muitos mistérios que lhe foram acrescentados. Espírito milhares de anos adiante de seu tempo, em comunhão com as esferas divinas, realizava fenômenos de cura, marterialização entre outros. Mas isto acontecia também em outras cutluras. O contato com o divino não é privilégio de alguns. O diferencial em  Jesus, eram suas palavras, sua vibração de amor e seu exemplo. O Verbo significa este conjunto. A linguegem transcende a lógica, forma conceitos, transmite sensações. E Jesus sabia calar e falar. Um educador e um condutor. Dois fatores que justificam a grande influência dele sobre as pessoas e o temor que despertava nos poderosos de seu tempo: o Amor profundo e abrangente gerava empatia e os exemplos lhe conferiam autoridade inquestionável, legitimando seus ensinamentos. .Nenhum outro filósofo ou profeta reuniu todas estas coisas com tanta coerência e continuidade.Coloco apenas algumas rupturas importantes que Jesus promoveu na visão de mundo da humanidade e que tem até os dias atuais profundas consequencias na história, na organização social e no  "eu interior"ou espírito de tantas pessoas:
1) O conceito de Deus - Jesus aproximou Deus dos homens, tornando -o acessível a todos, sem necessidade de sacerdotes ou líderes. Pela prece se faz contato com o Criador. Além disso, colocou a idéia de um Deus amororso e justo. Ao mesmo tempo Deus deixou de ser antropomórfico e passou a ser entendido como um ser transcendente, criador e organizador de tudo que existe através da lei do amor. Um Deus que perdoa e permite a reparação do erros.
2) A definição de ser humano: Jesus colocou o valor das pessoas em sua essência e não em classificações de etnia, função, poder; Igualou escravos e senhores como irmãos na medida em que ressalta a transitoriedade de todas as máscaras criadas pelas sociedades e culturas. Valorizou  o Homem  Nu, com sua  essencia e conqiustas íntimas, seu caráter e individualidade, despido de aparências e convenções deste mundo

3) O Poder- Jesus ensinou e demonstrou que o poder não está em quem governa, , mas em quem ama. O amor tem o poder de transformação como força irresistível, silenciosa universal. Nenhum poder terreno se compara a este, que não pode ser delegado ou insituído por outras pessoas, ou por uma lei, pois tem origem na essência de Deus em nós.
Seria este Jesus humilde, acessível, sensível, amoroso, humano e por tudo isto divino,  que as pessoas viam nesta época? Como poderemos saber? Para nós que acreditamos no testemunho dos espíritos, há um belo exemplo que nos dá uma idéia da força e emoção causadas pela simples proximidade com Jesus, que como espírito, até os dias de hoje nos envia sua mensagem  não  como uma acusação ou convocação a aceitá -lo, mas como um convite ao auto conhecimento, à consciência de nossa essência divina  e à renovação constante  Este testemunho está no livro "Ha dois mil anos" de Emmanuel.

"(...) Foi nesse instante que, com o espírito como se estivesse sob o império de estranho e suave magnetismo, ouviu passos brandos de alguém que buscava aquele sítio.
"Diante de seus olhos ansiosos, estacara personalidade inconfundível e única. Tratava-se de um homem ainda moço, que deixava transparecer nos olhos, profundamente misericordiosos, uma beleza suave e indefinível. Longos e sedosos cabelos molduravam-lhe o semblante compassivo, como se fossem fios castanhos, levemente dourados por luz desconhecida. Sorriso divino, revelando ao mesmo tempo bondade imensa e singular energia, irradiava da sua melancólica e majestosa figura uma fascinação irresistível.
"Públio Lentulus não teve dificuldade em identificar aquela criatura impressionante, mas, no seu coração marulhavam ondas de sentimentos que, até então, lhe eram ignorados. Nem a sua apresentação a Tibério, nas magnificências de Capri, lhe havia imprimido tal emotividade ao coração.
"Lágrimas ardentes rolaram-lhe dos olhos, que raras vezes haviam chorado, e força misteriosa e invencível fê-lo ajoelhar-se na relva lavada em luar.
"Desejou falar, mas tinha o peito sufocado e opresso. Foi quando, então, num gesto de doce e soberana bondade, o meigo Nazareno caminhou para ele, qual visão concretizada de um dos deuses de suas antigas crenças, e, pousando carinhosamente a destra em sua fronte, exclamou em linguagem encantadora, que Públio entendeu perfeitamente, como se ouvisse o idioma patrício, dando-lhe a inesquecível impressão de que a palavra era de espírito para espírito, de coração para coração:
"- Senador, porque me procuras? e, espraiando o olhar profundo na paisagem, como se desejasse que a sua voz fosse ouvida por todos os homens do planeta, rematou com serena nobreza: Fôra melhor que me procurasses publicamente e na hora mais clara do dia, para que pudesses adquirir, de uma só vez e para toda a vida, a lição sublime da fé e da humildade...
"Mas, eu não vim ao mundo para derrogar as leis supremas da Natureza e venho ao encontro do teu coração desfalecido!...
"Públio Lentulus nada pôde exprimir, além das suas lágrimas copiosas, pensando amargamente na filhinha; mas o profeta, como se prescindisse das suas palavras articuladas, continuou:
"- Sim... não venho buscar o homem de Estado, superficial e orgulhoso, que só os séculos de sofrimento podem encaminhar ao regaço de meu Pai; venho atender às súplicas de um coração desditoso e oprimido e, ainda assim, meu amigo, não é o teu sentimento que salva a filhinha leprosa e desvalida pela ciência do mundo, porque tens ainda a razão egoística e humana; é, sim, a fé e o amor de tua mulher, porque a fé é divina... Basta um raio só de suas energias poderosas para que se pulverizem todos os monumentos das vaidades da Terra...
"Comovido e magnetizado, o senador considerou, intimamente, que seu espírito pairava numa atmosfera de sonho, tais as comoções desconhecidas e imprevistas que se lhe represavam no coração, querendo crer que os seus sentidos reais se achavam travados num jogo incompreensível de completa ilusão.
" Não, meu amigo, não estás sonhando... exclamou meigo e enérgico o Mestre, adivinhando-lhe os pensamentos Depois de longos anos de desvio do bom caminho, pelo sendal dos erros clamorosos, encontras, hoje, um ponto de referência para a regeneração de toda a tua vida.
"Está, porém, no teu querer o aproveitá-lo agora, ou daqui a alguns milênios... Se o desdobramento da vida humana está subordinado às circunstâncias, és obrigado a considerar que elas existem de toda a natureza, cumprindo às criaturas a obrigação de exercitar o poder da vontade e do sentimento, buscando aproximar seus destinos das correntes do bem e do amor aos semelhantes.
"Soa para teu espírito, neste momento, um minuto glorioso, se conseguires utilizar tua liberdade para que seja ele, em teu coração, doravante, um cântico de amor, de humildade e de fé, na hora indeterminável da redenção, dentro da eternidade... Mas, ninguém poderá agir contra a tua própria consciência, se quiseres desprezar indefinidamente este minuto ditoso!
"Pastor das almas humanas, desde a formação deste planeta, há muitos milênios venho procurando reunir as ovelhas tresmalhadas, tentando trazer-lhes ao coração as alegrias eternas do reinado de Deus e de sua justiça!
"Públio fitou aquele homem extraordinário, cujo desassombro provocava admiração e espanto.
"Humildade? Que credenciais lhe apresentava o profeta para lhe falar assim, a ele senador do Império, revestido de todos os poderes diante de um vassalo?
"Num minuto, lembrou a cidade dos césares, coberta de triunfos e glórias, cujos monumentos e poderes acreditava, naquele momento, fossem imortais.
"Todos os poderes do teu império são bem fracos e todas as suas riquezas bem miseráveis.
"As magnificências dos césares são ilusões efêmeras de um dia, porque todos os sábios, como todos os guerreiros, são chamados no momento oportuno aos tribunais da justiça de meu Pai que está no Céu.
"Um dia, deixarão de existir as suas águias poderosas, sob um punhado de cinzas misérrimas. Suas ciências se transformarão ao sopro dos esforços de outros trabalhadores mais dignos do progresso, suas leis iníquas serão tragadas no abismo tenebroso destes séculos de impiedade, porque só uma lei existe e sobreviverá aos escombros da inquietação do homem a lei do amor, instituída por meu Pai, desde o princípio da criação...
">"Agora, volta ao lar, consciente das responsabilidades do teu destino...
""Se a fé instituiu na tua casa o que consideras a alegria com o restabelecimento de tua filha, não te esqueças que isso representa um agravo de deveres para o teu coração, diante de nosso Pai, Todo-Poderoso!...
quis falar, mas a voz tornara-se-lhe embargada de comoção e de profundos sentimentos. Desejou retirar-se, porém, nesse momento, notou que o profeta de Nazaré se transfigurava, de olhos fitos no céu...
"Aquele sítio deveria ser um santuário de suas meditações e de suas preces, no coração perfumado da Natureza, porque Públio adivinhou que ele orava intensamente, observando que lágrimas copiosas lhe lavavam o rosto, banhado então por uma claridade branda, evidenciando a sua beleza serena e indefinível melancolia.
Nesse instante, contudo, suave torpor paralisou as faculdades de observação do patrício, que se aquietou estarrecido.
Deviam ser vinte e uma horas, quando o senador sentiu que despertava. Leve aragem acariciava-lhe os cabelos e a Lua entornava seus raios argênteos no espelho carinhoso e imenso das águas.
"Guardando na memória os mínimos pormenores daquele minuto inesquecível, Públio sentiu-se humilhado e diminuído, em face da fraqueza de que dera testemunho diante daquele homem extraordinário.

Uma torrente de idéias antagônicas represava-se-lhe no cérebro, acerca de suas admoestações e daquelas palavras agora arquivadas para sempre no âmago da sua consciência. 

(Do livro Há dois mil anos, ditado pelo espírito Emmanuel ao médium Francisco Cândido Xavier, Ed. FEB, p. 84)


Muito mais há para dizer. Mas não agora, não aqui. Fiquemos com este pequeno fragmento para refletir no sentido da vida de Jesus, este ser humano divino.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dona Edelarzil: Milagres com algodão e naturalidade



Dona Ederlazil não é espírita.  Ela tem um raro dom:  faz materializações e transporte de objetos distantes, onde quer que estejam, para sua peneira com algodão. A casa, Caminho e Luz é um local rústico, sem nenhum aparato especial, na zona rural, nos arredores de Votuporanga. Ao chegar lá pela primeira vez, por mais que digam sobre os fenômenos que acontecem, não temos verdadeira idéia até entrar na sala de atendimento.  Em primeiro lugar é preciso não ter prconceitos, nem arrogância. Não há ainda como explicar as coisas que acontecem ali. Se não nos conformarmos com isso só há uma saída: pesquisar profundamente. Negar é praticamente impossível. Aos espíritas que acham que para tudo tem uma explicação na doutrina, devo dizer que Kardec cita no livro dos mediuns, o "transporte" como  um tipo raríssimo de mediunidade. Mas como isto acontece? Eis a questão a se descobrir.
O objetivo do trabalho de dona Edelarzil é libertar as pessoas de problemas e energias mais pesadas. Uma limpeza espiritual e até mesmo de problemas físicos.
Ao chegar na Casa a pessoa desfia o seu próprio algodão, pensando no que deseja para si ou para quem  está realizando este trabalho.  Estes algodões desfiados são colocados em caixas e são utilizados para a produção do fenômeno.
Dona Edelarzil coloca um montante deste algodão na peneira, molha e simplesmente retira dali, com muita naturalidade e rapidez,  objetos diversos. São embrulhados em um jornal e colocados na sacolinha própria para cada pedido ou pessoa para quem se pede a limpeza. Rápido e sem efeitos especiais ou meia luz. Das 32 pessoas que entram por vez, vemos coisas impressionantes. Objetos muitas vezes maiores que a própria peneira. Aparecem, por exemplo,. objetos pessoais que estavam em algum local emanando energias ruins para a pessoa (trabalhos em cemitério, por exemplo). Também outros objetos são materializados ali, e não transportados,  que são metáforas do tipo de energias que a pessoa atraiu para si mesma ou que a estão prejudicando. É como se as próprias energias negativas se transformassem em algum objeto.Ao sairmos da sala levamos os objetos para a área externa onde podemos analisá-los, verificando em um folheto seus significados. Não convém trazê-los consigo, pois serão incinerados lá mesmo. E ainda uma curiosidade:  não há cheiro nas coisas enquanto estão ali. Mas se você se arriscar a levar para casa,  o mau cheiro torna-se insuportável. Foi o que disseram e eu acreditei. Para que trazer de volta algo de que queríamos nos livrar? Muitas pessoas se chocam, pois achando-se "do bem" não se agradam do que sai para si do algodão.. Segundo a médium., todos nós, por estarmos mergulhados neste mundo cheio de energias conflitantes e inferiores sempre temos algo a retirar que nos pesa na alma,  na vida ou no corpo. Alguns exemplos do que vi sair do algodão: queixada de bode, peças de carro, vidro, sapo, velas de diferentes tipos, cores e formatos,  caco de vidro, ossos diversos, bonecos amarrados, fotos, objetos pessoais. E  entre estes últimos, reconheci em uma de minhas sacolas uma peça de roupa da pessoa da familia cujo nome levei.
Fraude? Quem quiser negar o fenômeno, que explique então a fraude....

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Profecias ou alertas? A palavra de Jesus, a revelação de Emmanuel


Quando lemos o livro Há dois mil anos..., a história envolvente, a trama bem urdida nos chama sempre mais a atenção para o aspecto romanesco do livro. Existem pesquisas que o analisam dos pontos de vista histórico e antropológico, devido às preciosas e precisas informações que traz sobre a vida na Roma antiga. Entretanto, se essa narrativa apresenta algumas informações muito interessantes para entender o passado, também nos oferece diversas dicas sobre o presente, inclusive "previsões" ou "profecias" para o futuro. Tais indicações sobre o futuro passam despercebidas na maior parte das vezes, já que se inserem em meio ao ápice da história, na qual Lívia morre devorada por leões e é levada ao Plano Espiritual em um local de muita luz, onde ela, juntamente com outros mártires, recebem a visita pessoal de Jesus. Vou citar alguns trechos marcantes, que bem ilustram esta fresta aberta para o futuro de ontem, que já chegou e é hoje.

"(...) Num dia de rara e indefinível beleza, em que uma claridade de cambiantes divinos entornava saboroso mel de alegria em todos os corações, descia o Cordeiro de Deus da esfera superior de suas glórias sublimes e, tomando a palavra naquele cenáculo de maravilhas, recordava as suas inesquecíveis pregações junto às águas tranqüilas do pequeno 'mar" da Galileia (...).A palavra do Mestre derramava-se no ádito das almas, com sonoridades profundas e misteriosas, enquanto de seus olhos vinha a mesma vibração de misericórdia e de serena majestade.

- Vinde a mim, vós todos que semeastes, com lágrimas e sangue, na vinha celeste do meu reino de amor e verdade!... (...)"Entre a Manjedoura e o Calvário, tracei para as minhas ovelhas o eterno e luminoso caminho... O Evangelho floresce, agora, como a seara  imortal e inesgotável das bênçãos divinas. Não descansemos, contudo, meus amados, porque tempo virá na Terra, em que todas as suas lições  hão de ser espezinhadas e esquecidas... Depois de longa era de sacrifícios para consolidar-se nas almas, a doutrina da redenção será chamada a esclarecer o governo transitório dos povos; mas o orgulho e a ambição, o despotismo e a crueldade hão de reviver os abusos nefandos de sua liberdade! O culto antigo, com as suas ruínas pomposas, buscará restaurar os templos abomináveis do bezerro de ouro. Os preconceitos religiosos, as castas clericais e os falsos sacerdotes restabelecerão novamente o mercado das coisas sagradas, ofendendo o amor e a sabedoria de Nosso Pai, que acalma a onda minúscula no deserto do mar, como enxuga a mais recôndita lágrima da criatura, vertida no silêncio de suas orações ou na dolorosa serenidade de sua amargura indizível!...
"Soterrando o Evangelho na abominação dos lugares santos, os abusos religiosos não poderão, todavia, sepultar o clarão de minhas verdades, roubando-as ao coração dos homens de boa vontade!...
"Quando se verificar este eclipse da evolução de meus ensinamentos, nem por isso deixarei de amar intensamente o rebanho das minhas ovelhas tresmalhadas do aprisco!...
"Das esferas de luz que dominam todos os círculos das atividades terrestres, caminharei com os meus rebeldes tutelados, como outrora entre os corações impiedosos e empedernidos de Israel, que escolhi, um dia, para mensageiro das verdades divinas entre as tribos desgarradas da imensa família humana!...
“Numerosos missionários de minha doutrina ainda tombarão, exânimes, na arena da impiedade, mas hão-de constituir convosco a caravana apostólica, que nunca mais se dissolverá,amparando todos os trabalhadores que perseverarem até ao fim, no longo caminho da salvação das almas!..."Quando a escuridão se fizer mais profunda nos corações da Terra, determinando a utilização de todos os progressos humanos para o extermínio, para a miséria e para a morte, derramarei minha luz sobre toda a carne e todos os que vibrarem com o meu reino e confiarem nas minhas promessas, ouvirão as nossas vozes e apelos santificadores!...
"Pela sabedoria e pela verdade, dentro das suaves revelações do Consolador, meu verbo se manifestará novamente no mundo, para as criaturas desnorteadas no caminho escabroso, através de vossas lições, que se perpetuarão nas páginas imensas dos séculos do porvir!...
"Sim! amados meus, porque o dia chegará no qual todas as mentiras humanas hão de ser confundidas pela claridade das revelações do céu. Um sopro poderoso de verdade e vida varrerá toda a Terra, que pagará, então, à evolução dos seus institutos, os mais pesados tributos de sofrimentos e de sangue... Exausto de receber os fluidos venenosos da ignomínia e da iniquidade de seus habitantes, o próprio planeta protestará contra a impenitência dos homens, rasgando as entranhas em dolorosos cataclismos. .. As impiedades terrestres formarão pesadas nuvens de dor que rebentarão, no instante oportuno, em tempestades de lágrimas na face escura da Terra e, então, das claridades da minha misericórdia, contemplarei meu rebanho desditoso e direi como os meus emissários: "Ó Jerusalém, Jerusalém?..."
"Mas Nosso Pai, que é a sagrada expressão de todo o amor e sabedoria, não quer se perca uma só de suas criaturas, transviadas nas tenebrosas sendas da impiedade!...
"Trabalharemos com amor, na oficina dos séculos porvindouros, reorganizaremos todos os elementos destruídos, examinaremos detidamente todas as ruínas buscando o material passível de novo  aproveitamento e, quando as instituições terrestres reajustarem a sua vida na fraternidade e no bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos Espíritos e dentro das convulsões renovadoras da vida planetária, organizaremos para o mundo um novo ciclo evolutivo, consolidando, com as divinas verdades do Consolador, os progressos definitivos do homem espiritual".

(Há dois mil anos = Emmanuel, pags 351 a 354)

domingo, 25 de outubro de 2009

Lenda Egípcia; "O peixinho vermelho".À nossa imagem e semelhança?


Esta bela lenda se encontra no prefácio do livro Libertação, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier. A história do peixinho vermelho, como revela o livro Deus conosco, em mensagem de Emmanuel do dia 26/1/1949, foi contada a Chico por Wanda Joviano, filha de Rômulo, que foi patrão de Chico. Ela conta que essa antiga lenda consta de um dos livros da médium inglesa Joan Grant, sobre o Egito Antigo. Wanda ficou emocionada quando soube que Emmanuel aproveitara a história para o prefácio do livro de André Luiz, pois tinha estreita relação com o objetivo da obra. Na casa da família Joviano, eram recebidos e analisados textos mediúnicos e orientações referentes à produção literária de Chico Xavier.Segue a história completa para quem ainda não conhece. Entre nós e essa comunidade de peixes, semelhanças não são coincidências.

“No centro de formoso jardim, havia um grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa.
Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.
Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias.
Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça.
Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos.
Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.
O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome.<
Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse. Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.
Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro.
À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:“Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?”
Optou pela mudança.
Apesar de macérrimo, pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.
Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d'água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança...
Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.
Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.
Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.
Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais.<
Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.
De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.
Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.
O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações.
Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.
Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o oceano.
O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.
Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?
Não hesitou. Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta.
Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.<
Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros.
Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia.
Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lotus, de onde saíam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele.
Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.
O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceanos e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos.
Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.
Antes que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.
Ninguém acreditou nele.
Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquelas história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente.
O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:“Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém possui vida igual à nossa!...”
Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.<
Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca..
As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama...”

Esta lenda nos faz pensar: será que nós, ditos espíritas ou espiritualistas, apenas mudamos de lago e de rei?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sim, nós temos pesquisas

Espiritismo, espiritualismo ou espiritualidade, sob o ponto de vista de muitos acadêmicos, são temas que nem merecem atenção. Em alguns artigos, percebemos uma mensagem implícita de “óbvio que isto é crendice”. Deste modo se desmerecem ou se descaracterizam temas relacionados à espiritualidade, identificando-os como “não ciência”. Isso não é nada raro, especialmente em revistas de reconhecimento científico internacional, que “legitimam verdades”. Felizmente, aos poucos, essa situação está mudando. Pesquisadores de diversas universidades brasileiras atualmente se interessam pelo tema, que, afinal de contas, toca profundamente a essência humana desde os primórdios das civilizações. As pesquisas acontecem em diversas áreas: educação, literatura, antropologia, psiquiatria, psicologia, história. São realizadas por espíritas, espiritualistas ou agnósticos. No site da FEB, há um link que concentra diversas pesquisas e está sempre aberto para a inclusão de outras, que podem ser sugeridas pelos leitores.
Abaixo, cito o resumo de algumas, apenas para se ter uma idéia da abrangência dos assuntos tratados.

Eurípedes Barsanulfo: um educador espírita na Primeira República (BIGHETO, Alessandro César. Dissertação de Mestrado – UNICAMP, 2006)

Este trabalho pretende resgatar, para a história da Educação Brasileira, a figura do educador espírita, mineiro, Eurípedes Barsanulfo (1880-1918), fundador e diretor do Colégio Allan Kardec (Sacramento), primeira escola espírita no Brasil. Mostra a especificidade da sua proposta, de educação ativa, gratuita e espiritualista, analisando suas heranças, práticas, contexto sociopolítico cultural e idéias pedagógicas do período. A metodologia se dá na pesquisa histórico-bibliográfica sobre os temas abordados e na pesquisa em fontes primárias (manuscritos, entrevistas com testemunhas, alunos e descendentes, artigos de jornal, retratos, fotos, Atas da Câmara Municipal de Sacramento etc.). Este trabalho pretende precisar os aspectos específicos da prática de Eurípedes no contexto de sua época e como iniciador de uma corrente nova de educação, com desdobramentos até hoje. Trata-se de mostrar sua contribuição, numa visão crítica da história, mas incorporando a perspectiva do discurso espírita, pois o que se esboça no primeiro momento da pesquisa é a originalidade da proposta pedagógica kardecista, iniciada por Eurípedes.

Morte no corpo, vida no espírito: o processo de luto na prática espírita da psicografia (GUARNIERI, Maria Cristina. Mestrado – PUC/SP, 2001)

A tendência à banalização da morte e do morrer tem crescido muito. O mundo
secularizado trouxe grandes avanços para a humanidade, mas, como conseqüência, uma dura realidade se revela: não há lugar para as expressões de sofrimento, dor e morte. Esta realidade já é visível nos grandes centros urbanos, onde os ritos e espaços que possibilitam a integração e a reflexão sobre a morte são pouco valorizados. Entrar em contato com a morte nos obriga a encontrar um outro sentido para a vida, mas também nos leva a buscar o da morte. Partindo da compreensão sobre morte e luto no desenvolvimento humano, baseada em autores como Carl Gustav Jung, John Bowlby, Colin Parkes, foi possível perceber que o tema pedia uma ampliação para abordá-lo. A sociologia do conhecimento de Peter Berger e Thomas Luckmann, a antropologia da morte de Edgar Morin, as contribuições do historiador Phillipe Àries auxiliaram em uma visão mais completa deste ser humano diante da consciência de sua mortalidade. O objetivo desta dissertação é demonstrar a importância do espaço religioso, especificamente o espiritismo, como continente à elaboração do luto e às questões sobre a finitude humana. O espiritismo, por acreditar em uma vida após a morte, entende que é possível comunicar-se com os espíritos dos mortos. A prática da psicografia, analisada neste trabalho, acaba sendo um meio facilitador nesta elaboração e acaba por criar um espaço de acolhimento deste enlutado e de suas questões. Finalizando, foram escutados 17 enlutados que contam sobre sua experiência de perda, fundamentando a importância de nos abrirmos para a questão, do sentido de ser humano. Este trabalho pretende contribuir para a compreensão da religiosidade como pertencente à psique humana e como a existência do indivíduo é permeada por crenças, símbolos e atitudes religiosas que permitem integrar a morte em sua história, mas, principalmente, resgatar e valorizar a vida.

O caso Humberto de Campos: autoria literária e mediunidade (ROCHA, Alexandre Caroli. Tese de Doutorado, Unicamp, 2008)

Entre 1937 e 1969, publicaram-se 12 livros que o médium Francisco Cândido Xavier atribuiu ao escritor Humberto de Campos e a Irmão X. O objetivo desta tese é estudar o funcionamento autoral desses textos. Ela foi dividida em cinco capítulos: uma apresentação de Humberto de Campos; um breve histórico da mencionada atribuição de autoria; uma análise da construção de um autor espiritual; uma leitura de cinco textos do conjunto mediúnico; e uma interpretação das noções autorais despertadas por tais livros.

As práticas religiosas atuando na recuperação de dependentes de drogas: a experiência de grupos católicos, evangélicos e espíritas. (SANCHEZ, Zila. Tese de Doutorado – USP, 2006)

O tratamento religioso para dependência de drogas ganha espaço na saúde pública brasileira e compartilha responsabilidade com o serviço de saúde convencional. Tais intervenções são consideradas eficazes pelos
indivíduos submetidos a elas e despertam a atenção destes pela forma humana e respeitosa pela qual são tratados. A maior potencialidade destes tratamentos está no suporte social do grupo que os recebe, no tratamento de igual para igual e no acolhimento imediato e sem julgamentos, mostrando que o sucesso destas ações não se esgota num possível aspecto “sobrenatural”, como poder-se-ia supor, mas sim, em especial, na dedicação incondicional do ser humano por seu semelhante.

Leia estas e outras pesquisas na íntegra.

A quantidade, diversidade e qualidade das pesquisas nos dão a certeza de que o positivismo, o materialismo, o consumismo, o economicismo e outros ismos não conseguiram “matar o espírito”. Pelo contrário. Ele está cada vez mais evidente em nossa cultura, nas filosofias, em nossas buscas, ao nosso redor, e é mesmo a parte mais viva dentro de nós.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pintura mediúnica: um testemunho




(obras atribuidas à Tarsila -repare em outras que estão atrás, Vincent, Renoir e  novamente Renoir)


Pela primeira vez, assisti a uma sessão de pintura mediúnica. É impressionante a qualidade e rapidez com que as obras brotam na tela. Parece que vão surgindo de um conjunto de manchas e de movimentos com as mãos. E, ao terminar, materializada está a  obra original, que pode vir em estilos diversos. Daiane e Daniele, do centro espírita Seara da Luz, de Goiás, são duas jovens que pintam desde os 15 anos, assim como sua mãe, Eunice. Viajam pelo Brasil realizando esse trabalho para sustentar uma casa na qual acolhem as pessoas com diversos problemas físicos, mentais, além de idosos, homens e mulheres abandonados de diversas procedências.

No meu caso, assisti à psicopictografia no centro espírita Seara do Mestre, que fica no extremo da zona sul de São Paulo. Estavam presentes Daniela,  seu pai e sua mãe, sendo que Daniela estava responsável pelo trabalho mediúnico e Eunice com seu esposo na assessoria (na família, só as mulheres pintam). Após a oração inicial, mesmo ao entrarmos no salão, já sentimos uma energia vibrante, algo diferente. A médium pinta duas telas de presente para a casa anfitriã. A seguir, as pessoas que desejam adquirem uma tela em branco. Esta tela apresenta, na parte de trás, uma mensagem previamente psicografada pela médium. Assim, no momento de escolher a tela, mentaliza-se a pessoa a quem se quer presentear, uma solução para situações pessoais ou simplesmente deixa-se levar para qualquer uma delas. Sempre será uma mensagem bonita que tem relação com o que foi pensado. Então, esta tela em branco é entregue à médium, que em uma média de três minutos conclui o trabalho, assinado por artistas que estão na espiritualidade, conhecidos ou não.

Uma observação interessante é que Daniela coloca duas ou mais cores de tinta nas mãos, e essas cores nunca se misturam, saem no quadro separadas para formar a figura. Pode-se observar de perto, em ambiente claro, sem necessidade de que os presentes permaneçam somente em oração ou concentração.

As médiuns, neste caso Daniela, não pintam com os pés ou com as duas mãos. Mas a qualidade das obras é chocante. Um artista cético que assista a uma sessão de pintura mediúnica pode entrar em crise profissional ou existencial, pois com certeza não conseguirá explicar ou realizar este fenômeno. Afinal, quantos anos precisaria  o artista  ter estudado para  tentar realizar obra de tal envergadura? Pensei nisto ao final de tudo  e achei graça. Quem duvidar que faça!
Obs: meu quadro é o dos girassóis. Estas são fotos tiradas com celular, sem muita qualidade. Foram mais de 20 obras nessa tarde.


Outros médiuns, veja vídeos