Conto: Jesus voltou à Terra




Por: Cristina H. Rocha

Jesus compareceu à terra, em carne e osso. No Brasil, semana passada. Esse chão onde seu nome é tão conhecido e pronunciado. Queria só dar uma reforçada em seus ensinamentos, nada muito complicado. Afinal, bilhões de pessoas estudando suas palavras há dois mil anos, o mundo estaria maravilhoso. Impressionou-se com tanta tecnologia, telas, carros... Mas logo uma pessoa, olhando para o que ele descobriu ser o celular, quase o derrubou e o chamou de vagabundo, talvez devido a seus trajes nada usuais. Outro rapaz, bem vestido, logo desviou. Teria pensado que se tratava de um malfeitor? Jesus, profundamente compadecido, resolveu então ficar um pouco mais. Quem sabe poderia com suas palavras e exemplos curar a humanidade dessa loucura que via pelas ruas?

Dia 1-. Logo que chegou, em uma grande cidade, ao passar por certa construção luxuosa, pintada em ouro, enfeitada de diamantes, ouviu: “essa é a verdadeira igreja de Jesus”.
“O que é igreja? ’ Ele pensou. Como eu posso ter um prédio se nunca tive nenhum bem, nem mesmo um travesseiro onde encostar a cabeça?  Sempre reuni as pessoas em qualquer lugar, mas aqui em meio a tanta ostentação não me sentiria bem”. Dali passou ao largo.
Foi procurar um lugar para dormir. Encontrou algumas pessoas na rua, repartiu com eles a mesma coberta. Afinal sempre vivera na simplicidade. Ali era um bom lugar.

Dia 2- Foi acordado de madrugada por policiais que estavam arrancando os cobertores e todos os pertences dos seus amigos. Tentou argumentar. “Somos todos irmãos, filhos do mesmo Deus”. Mas nada adiantou. "Estamos  cumprindo ordens superiores" disse um dos policiais. Quanto frio passaram! Mas Jesus cuidava de suas feridas, ouvia suas histórias, alimentava-os de sabedoria, aquecia-os com seu amor. Em um único dia já era conhecido e amado por muitos.

Dia 3- Caminhando novamente pela cidade, buscando recursos para atender a seus amigos verificou uma grande quantidade de pessoas gritando contra a corrupção, e que em alto e bom som, como ele nunca havia escutado, bradavam seu nome. Que bom ele pensou. Todas essas pessoas querem o bem, achamos nosso lugar”, disse aos seus amigos famintos. Mas não deu tempo de concluir esse pensamento. Muitos começaram a olhar de lado, empurrar. E ao tentar defende-los, Jesus teve como resposta vozes agressivas gritando “comunista”! “sai daqui”!
Nessa noite, o Cristo fez um de seus milagres. Multiplicou novamente o pão. Dormiram saciados. Felizmente chegaram algumas pessoas que sorriam e entregavam cobertas.  Esses também eram seus amigos de verdade. Abraçou a cada uma, escutou seus problemas, anotou seus nomes e endereços. E partiu.

Dia 4-. Jesus queria elaborar u plano para impedir que pessoas vivessem em situações precárias, sofridas, sem assistência, sem apoio.
Pegando várias caronas, aqui e ali chegou em uma cidade maravilhosa. Tentou falar com alguém. Ninguém lhe deu atenção. Com seu poder infinito, entrou em um prédio muito rico. Logo viu uma cruz ali. Alegrou-se. Lembravam dele. Descobriu que vários usam o nome de “cristãos”, na certa uma referência a ele e seus ensinamentos. Aliviado notou que muitas pessoas entravam, sentavam e conversavam em grupos, aqui e ali. Mas o que estaria acontecendo? Em seu nome zombavam dos pobres, planejavam maldades para toda uma nação? Jesus, perplexo, mais uma vez partiu.
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Visitou lares, hospitais, fez milagres diversos, alguns foram atribuídos à sorte, mas tudo bem. Onde havia aqueles simples e humildes de coração, deixou um presente de luz. Constatou que tinha realmente muitos amigos.

Porém, antes que fosse morto novamente, não na cruz, mas por uma violência qualquer, foi embora da Terra. Transmutou-se. Dessa vez sua morte passaria despercebida. Não ensinaria a humanidade a resistir, a não se vender, a manter os princípios da sabedoria divina.  Iria de longe, em espírito, soprar inspirações de alma para alma, aos amigos que o seguissem de fato, também para aqueles que não tinham consciência de si mesmos, agiam sem má intenção. Nesses tinha esperança. Com o tempo outros seriam contagiados pelo amor, pela paz, pela luz. Assim, aos poucos a loucura da humanidade seria curada.

Os outros, semeadores do mal, corruptos, aproveitadores, desumanos, cínicos, golpistas, Jesus não os abandonaria. Mas teriam antes, algumas lições com um outro mestre, que sempre esteve por aqui. Alguns o chamam de satanás.


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