sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Prismas da fé


Muitas pessoas têm uma ideia de que a fé serve como muleta diante dos problemas da vida. Alegam que a em nome da fé as pessoas ficam esperando milagres e não fazem a parte que lhes cabe nos momentos difíceis e de decisões. São os céticos, que se preocupam tanto em destruir a fé alheia, que acabam passando mais tempo mobilizados por ela do que os crentes.

De fato, não podemos negar que muitas pessoas agem dessa forma. Quando a fé é pautada em dogmas rígidos, acaba cristalizando conceitos, transformando-os em preconceitos. Rivaliza com a ciência e outras formas de pensar e de crer, estimulando o pensamento infantilizado e a moral rígida.

Entretanto, quando a fé é abrangente, não se preocupa com a imposição de pontos de vista, é uma poderosa ferramenta de crescimento pessoal que orienta nossa ação no mundo e alimenta a esperança. Apenas alguns pontos para refletir.  
1.       Humildade

A fé nos conduz ao respeito pela vida. Todo tipo de vida. Nos irmana como ensinou Francisco de Assis, a toda a natureza e ao Universo. A vida é divina, pois todos os elementos da natureza se movem em ciclos, se transformam. Que força mantém esse movimento? Mecanismos movidos pela química, sem o sopro divino não geraria vida independente. Mas é preciso que se diga: não podemos aderir à ideia antropocêntrica de que “toda a natureza foi criada para nós, humanos”.  A nossa complexidade não indica privilégios de existência no planeta. Essa crença tem levado a depredação ambiental e até mesmo à extinção de diversas espécies de seres vivos. Somos uma das espécies habitantes de um planeta pequenino em um gigantesco universo. Por isso, a fé em um Criador, deve nos levar à humildade. Nada no mundo, nenhum conhecimento ou beleza se compara a dança dos astros no céu profundo.

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2.       Poder
Como parte da natureza e dentro da vida que não criamos nem somos capazes de criar, pois só a vida gera vida, somos únicos. Essa singularidade nos “empodera”. Somos potentes, temos a possibilidade de algumas escolhas, construímos nossa individualidade. Como membros da espécie humana não fugimos às leis naturais de vida e morte. Isso nos revela que estamos sujeitos a uma força que é maior que nós, portanto não estamos atirados no mundo de modo aleatório e solitário. Produzimos cultura, signos, ferramentas.  Em nossa psique convivem o passado, o presente e o futuro, que podemos acessar pela vontade própria.  A fé, junto com a capacidade de reflexão, nos indica que essa Força Criadora existe e nela podemos nos inspirar. A meditação, a prece, os rituais nos levam a sentir de modo profundo a presença divina. Conectados a ela acessamos a seu potencial, de acordo com a nossa capacidade. Nosso poder  assim  se amplia,  na  possibilidade de aprender,  lutar, realizar escolhas,  amar.   
3.       Alteridade
Ligados ao Criador, que é fonte da vida, não cabem atitudes egoístas e egocêntricas, pois o outro, seja ele um santo ou assassino, foi gerado por um poder superior. Somos seres conscientes, podemos aprender com as experiências alheias, transmitir nossos valores. Estamos interligados em um grande oceano de vida. Influenciamos e somos influenciados todo o tempo, Por isso, nossa ação no mundo afeta todos os outros seres que estão mergulhados na vida. Interessante essa perspectiva de Paulo: “em Deus nos movemos e existimos como peixes em um oceano” (Atos 17:28.)  .  O hálito divino nos embala e inspira em nossas lutas. Amplia nossa consciência.  É preciso estar atento. 
A fé, dessa forma, transcende o “crer”. É inquieta, não tem dogmas. Por isso não se abala facilmente. Consegue dialogar com a ciência e com todas as teorias que se pautam pela ética, pelo respeito à vida, pela busca do equilíbrio individual e social. Viver com fé é ter horizonte.
VEJA TAMBÉM:
Fé: necessidade, conquista, sensibilidade. A alma em conexão com a espiritualidade
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