Ajuda na luta para vencer o luto



Luto é um  grande silêncio, interior povoado de susto, pesadelo e dor.   A morte de um ente querido nos coloca em contato com a própria finitude da vida terrena. Na tentativa de ajudar, amigos e parentes repetem chavões, tentam consolar dizendo palavras que representam a própria crença filosófica ou religiosa (descansou, está dormindo, vai ressuscitar, está no colo de Jesus). –Os espiritualistas, nesse momento difícil, com boa intenção, na tentativa de suscitar uma reação mais positiva, expressam algo como “ não fique assim, seu filho não gostaria de te ver assim”.  Vale algumas reflexões sobre como ajudar nesse momento de dor profunda e solidão.

O luto é um período necessário para que se possa absorver a ausência permanente da pessoa amada. Nesse momento não é conveniente dar conselhos, decidir sobre o futuro, indicar procedimentos. O melhor modo de auxiliar é permanecer o lado da pessoa, ouvir e ouvir. Deixá-la decidir se vai ou não doar os objetos do descarnado, se quer ou não arrumar o quarto. O colo e o abraço ajudam muito mais.

A  tendência é que,  passados os primeiros momentos de choque, as pessoas em geral se esqueçam e deixem de visitar ou ligar para a pessoa, que ainda está em luto. É justamente no passar dos dias que a saudade aumenta e a ausência dói mais.  Então ao menos durante um ano é conveniente que os amigos mantenham um contato próximo.

A religiosidade ajuda muito. Se tiver intimidade suficiente com  a pessoa, você pode apenas convidá-la a ir à igreja ou ao Cento Espírita. Mas não insista. Coloque-se disponível. Com o caminho aberto, geralmente a pessoa aceita em algum momento e isso ajuda muito a superação do luto.

Mesmo com plena consciência da continuidade da vida, a morte de uma pessoa amada é um momento radical. Por isso, nunca se deve exigir ou julgar suas atitudes diante dessa situação. Saber da existência do espírito não isenta a pessoa de sentir e poder manifestar a sua dor. Pode se comportar de forma equilibrada, resignada ou  de outro modo. Julgar  e exigir nunca ajuda. Acolher e conversar sim. Como diz a canção “ a dor é de quem tem”.

Como, onde e quando a morte vai impactar a nossa vida,   não está em nossas mãos. A morte de uma pessoa amada  pode até ser um momento de crescimento, mas  é preciso tempo. O mundo ocidental vende a ideia de juventude, beleza, consumo e sucesso na vida material como se fossem a essência  da alma humana. Sem filosofia ou reflexões sobre os sentido da vida a alma fica pobre, vazia de sua essência espiritual. Pensar na morte antes que o luto nos visite é pensar na vida, no amor, em profundidade.

Como inspiração para o dia a dia  . "Filosofia de vida" de Martinho da Vila

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