Jesus, o Mestre


Jesus. Ensinamentos repetidos e estudados há mais de dois mil anos. Por que o conteúdo do evangelho é inesgotável?
Jesus não deixou um texto escrito. Utilizou narrativas e palavras  simples, possíveis de serem memorizadas e  registradas por outras pessoas .  Porém,  essa simplicidade aparente, tem vários níveis de profundidade. Ao ouvi-lo, cada pessoa  entendia o possível à sua capacidade e personalidade, mas todos aprendiam e sentiam dentro de si algo importante nessas lições. Sua presença impactava. Incomodava alguns e encantava outros. Como ocorre ainda hoje. Suas pregações tratavam do dia a dia do povo. O semeador, o senhor das terras, as aves do céu, os lírios do campo., o filho pródigo, o pastoreio.  Personagens e  episódios  cotidianas apresentados  por Jesus, são metáforas do comportamento e da psique humana. Vamos fazer um ensaio, refletindo sobre a parábola do Filho pródigo.

Fala de um pai amoroso, dono de grandes recursos e que trabalha em suas terras com seus dois filhos. Permite ao filho caçula se apropriar de sua parte da herança e  viver suas experiências longe de casa, ciente de que sofreria, mas em algum momento tomaria  consciência de seus erros; Ao recebê-lo de volta, o pai perdoa e compreende que o filho retorna mias maduro. Aprendeu duras lições  e merece o mesmo amor e carinho de sempre Não questiona o investimento financeiro que realizou ao doar ao filho a parte que lhe cabia de herança, não pergunta por onde andou. A alegria de seu regresso é mais importante que tudo. E, o fato de ter retornado vale por um pedido de uma nova oportunidade para recomeçar.. 

O  filho caçula, ao sair pelo mundo, livre e sem a supervisão do pai,,leva uma vida sem regras e sem ética. Sofre em consequência  de seus erros e toma a iniciativa de  refazer o caminho de volta ao lar. Apresenta-se humilde, reconhecendo-se necessitado do apoio e do carinho de seu pai  para recomeçar a vida de outra forma. Não se acha merecedor de ser considerado filho, mas se contentaria em ser como um dos servos de seu pai, pois sabe que desprezou tudo o que possuia e abandonou aquele que o amava. .

A insatisfação do outro filho que permaneceu junto ao pai, com a volta do irmão demonstra que de seu ponto de vista,  merecia privilégios e seu irmão não deveria ser perdoado. No fundo invejava seu irmão e não tinha laços de amor com ele. Sentia ciúmes do amor do pai pelo caçula. O retorno do caçula lhe desperta revolta.

Numa reflexão simples sobre essa parábola, podemos inferir que o  pai, representa . Deus, que não rejeita seus filhos que vivem pelos caminhos tortuosos dos erros, crimes e enganos. Dá liberdade para que desprezem  sua paternidade e desperdicem a herança (a vida, as oportunidades, o corpo) até o esgotamento. Porque sabe que quando  o sofrimento se tornar insuportável, a solidão e o desespero  chegarem, a experiência o terá ensinado mais que as palavras e os ensinamentos. E o amor do pai como um porto seguro, irá atraí-lo de volta e será recebido no aconchego do lar com festa e alegria. Seu caminho de retorno será abençoado e marcado por oportunidades inúmeras de reencontrar-se. Mas há aquele que acredita estar  “ao lado” de Deus,como o filho egoísta. Se apóia na religião, denomina-se cristão sem entender o sentido da sabedoria e do amor. Exige privilégios, agindo com prepotência e disputando os benefícios da herança espiritual,  como um filho mimado, com o coração envenenado de despeito e desprezo pelos que seguem outros caminhos. E, finalmente,a parábola fala de  perdão, pois o pai se importa mais com a volta, o aprendizado, o amor do filho do que com os seus erros. Não se trata o perdão aqui reprsetnado de "não lembrar" o mal, mas de valorizar o aprendizado, compreender as fraquezas humanas e dar oportunidade de redendção.

Muito ainda se pode mergulhar nessa simples parábola. Quem sabe um livro inteiro, ou horas de palestras .Os ensinamentos de Jesus, potencializados pelo seu exemplo, ainda hoje ensinam a humanidade a construir um mundo melhor, oferecem ferramentas para que cada pessoa construa em seu íntimo  um reino de paz, amor e sabedoria. Jesus  modificou  paradigmas, provocou uma revolução de conceitos éticos e morais. Não criou religiões..  Mais do que uma  questão de fé, as palavras de Jesus são lições de Mestre.
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