terça-feira, 15 de maio de 2012

Poema de Ana

Ana Ramos, uma amiga portuguesa querida e talentosa. Entende de educação, faz objetos artesanais de extremo bom gosto. Sensível e inteligente, escreve belos poemas. Estamos mesmo precisando de alimentos para a alma, empanturrados de informações superficiais, ruídos de toda ordem, poucas doses de beleza e sensibilidade ao dia. Segue aqui apenas um, dos muitos inspirados poemas de Ana.

NAZARENO
Quantas vezes Jesus caminhei
sem saber o caminho a seguir.
Quem sabe o sul...melhor o norte?
E ainda distante do que hoje sei,
enveredei por um atalho de azar e morte


Ora nascendo em nobre berço,
ora aceitando migalhas de pão,
singela noviça, nas mãos o terço,
ensaiando renuncia e renovação!


 Quantas vezes mestre ouvi
uma proposta de amor_ redenção
e por incúria minha não cri
e ao milenar convite respondi:
Talvez um dia, Nazareno... Mas hoje? Não.


Rumei a destinos fantasiosos...
Mirando oásis venci o deserto-
Os dias ditosos haviam chegado
Eu ainda tão longe
E tu, já tão perto!


Até que um dia exausta, regressei:
qual filho pródigo, rogando perdão
Tanto corri, tanto te procurei
E tu aqui, dentro do meu coração!

By Ana Ramos, outono, 2011




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