Literatura mediúnica: registros vivos dos "mortos"


Até há alguns anos atrás, a espiritualidade era um tema apenas vinculado às religiões, ao misticismo. Aos poucos, as pesquisas sobre a continuação da vida após a morte, a mediunidade, os fenômenos paranormais vão ocupando os espaços nas universidades e laboratórios. Enquanto os biólogos, físicos, psiquiatras e psicólogos se detém na análise dos fenômenos "ao vivo" observando transes, estudando o cérebro dos médiuns, a pesquisa na área da literatura analisa os registros dos espíritos e traz uma fonte quase irrefutável de testemunhos de existência da vida espiritual. 

Ao deparar-se com um poema psicografado, tão consonante com o estilo do mesmo autor quando encarnado, como negar-lhe a autoria? E, para negá-la que explicação se lhe daria, uma vez que o pastiche (escrever à maneira de) tão perfeito e complexo seria praticamente improvável? É o caso por exemplo das obras dos médiuns Fernando de Lacerda e Chico Xavier. Fernando era português, escrevia duas obras diferentes simultaneamente, com cada uma das mãos, ao mesmo tempo em que conversava com uma pessoa à sua frente. Quem quiser conhecer seus escritos, leia os 4 volumes "Do País da Luz". E, quanto à Chico Xavier, é autor de mais de 400 livros, além de milhares de mensagens psicografadas, destinadas a consolar familiares de pessoas "mortas".. 

"Roube" algum tempo da participação em redes sociais ou dos programas de TV e leia os trabalhos de mestrado e doutorado pela UNICAMP de ALEXANDRE CAROLI ROCHA. O primeiro, dissertação de mestrado, sobre o livro Parnasso de Além Túmulo, primeira publicação de Chico Xavier. O conteúdo desse livro  surpreende  quem estuda ou conhece a obra de autores conhecidos como Angusto dos Anjos, Guerra Junqueiro, entre muitos outros. Os autores "mortos" escrevem poemas que são verdadeiros testemunhos de vida. A segunda pesquisa, de doutorado, é sobre Humberto de Campos, que em seus textos psicografados deixa vários "rastros de identificação", que desencadeou um processo judicial polêmico, em meados do século XX. Se por algum motivo a hipótese de pastiche ainda estiver em sua mente, após esse estudo, é bem provável que ela não resista. Mas indico a leitura completa dos trabalhos de Alexandre, disponível na biblioteca da UNICAMP, cujo link se encontra no menu à direita nesse blog.

Coloco aqui um artigo sobre os escritos pós morte dos autores famosos por meio das psicografias. Apenas para alimentar a reflexão para além do aspecto meramente religioso ou místico. Pensar sobre a morte e o pós morte é pensar sobre o sentido da vida. O século XXI nos desafia a um outro olhar, um novo despertar.

 Fantasmas na biblioteca

Procurar por espíritos entre as estantes das bibliotecas não é uma missão apenas para os Caça-Fantasmas do clássico-pipoca de 1984. Os estudos literários também buscam sinais do Além na literatura mediúnica, comparando livros “psicografados” de escritores conhecidos com as obras escritas pelos mesmos autores em vida. [...]

Como ghost-writer de mortos, nenhum médium se destacou mais do que o mineiro Francisco Cândido Xavier (1910-2002), autor de mais de 400 livros — com os quais nunca ganhou um centavo, pois não achava justo receber por obras que, segundo ele, teriam todas sido ditadas por espíritos. Em seu livro de estreia, Parnaso de além-túmulo, Chico Xavier encarnava uma verdadeira sociedade dos poetas mortos, reunindo 259 textos psicografados de 56 poetas brasileiros e portugueses, como Cruz e Sousa, Augusto de Anjos, Castro Alves e Guerra Junqueiro.[...]

(...) “Chico Xavier era um jovem de 21 anos que trabalhava como caixeiro num armazém das 7h às 20h em Pedro Leopoldo, pequena cidade mineira onde sequer havia biblioteca pública e onde ele estudara até o quarto ano do primário”, lembra Alexandre Caroli Rocha, doutor em teoria e história literária pela Universidade de Campinas, que estudou a obra mediúnica de Chico. “Mesmo hoje, contando com os recursos da internet e com as bibliotecas da USP e da Unicamp, tive dificuldade para encontrar livros de todos os autores mencionados na obra de Chico”, lembra... LEIA O ARTIGO COMPLETO

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