segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nosso Lar, o livro

Não se turbe o vosso coração. - Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. - Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais. ( S. JOÃO, cap. XIV, vv. 1 a 3.)

Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Há corpo animal, e há corpo espiritual.
Assim como [é] o terrestre, também [são] os terrestres; e assim como [é] o celestial, também [são] os celestiais.
E assim como trouxemos a imagem do terrestre, assim também traremos a imagem do celestial.(Paulo, 1 Corinios; 15: 42, 48 e 49)
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Nosso Lar é um livro revolucionário. Foi o primeiro livro que trouxe a publico, claramente, com riqueza de detalhes, informações inéditas sobre a vida, a organização e as características do mundo espiritual. O impacto foi grande, mesmo entre os  espíritas. André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier, chocou muitas pessoas que supunham ser a vida espiritual algo sem formas e contornos definidos.  Kardec fala sobre o perispírito, mas até então ninguém havia cogitado que este corpo espiritual demandaria um local apropriado à sua evolução, ou seja, um estilo de vida bem semelhante ao nosso planeta, seguindo seu ritmo e sob o governo do mesmo sol. Agora, com o lançamento do filme homônimo, mais que nunca se acendem polêmicas que levam à reflexão mais cuidadosa sobre a vida aqui e no além. Tentarei colocar alguns aspectos do livro que revolucionaram o pensamento e a literatura espírita. 
  1. Desde os mais remotos tempos, a humanidade convive com a presença espiritual visível em certas ocasiões ou a partir de certos rituais. As pessoas “ mortas” sempre apareceram e de algum modo interagiram com os “vivos”. Ora, se algumas pessoas são capazes de ver um espírito, reconhecê lo, então significa que existe um corpo que o reveste. Para nós, estas visões são impalpáveis. Entretanto quando dormimos e nosso corpo espiritual se desprende, fato corriqueiro em nossa vida de encarnado, “sonhamos” com pessoas “mortas” e de modo muito natural, dialogamos e abraçamos nossos entes queridos falecidos. Estes episódios são freqüentemente esquecidos, mas algumas vezes recordados como experiências tão reais, que percebemos não se tratar apenas de sonho. Deste modo fica evidente que espírito desencarnado não é alguém que vai adquirir em curto espaço de tempo faculdades especiais de sabedoria, bondade, acesso livre aos pensamentos e poder de intervenção na vida dos “vivos”. Espíritos, somos nós, com uma perspectiva um pouquinho mais ampla. Nada mais.
  2. Os espíritos desencarnados, além de um local,  precisam de habitação, infra estrutura, vestimentas, meios de locomoção como qualquer “mortal”. O corpo espiritual, bem como as moradas dos espíritos provenientes da Terra, são constituídos de matéria, ainda desconhecida da ciência, imponderável no plano físico, mas concreta no plano espiritual. Nosso Lar é apenas uma das muitas “cidades espirituais” ou “colônias espirituais”, onde vivem os espíritos em comunidades organizadas. Este aspecto é o que gera mais polêmica em relação ao livro de André Luiz, pois descreve uma realidade totalmente diferente dos paradigmas que formamos a partir dos dogmas religiosos e mesmo dos livros espíritas publicados anteriormente. Mas vamos refletir: se quando desencarnados conservamos a nossa individualidade, como nos adaptaríamos a um mundo totalmente abstrato, como daríamos sentido a situações e interações totalmente novas? É a possibilidade de interação e expressão individual, bem como a sensação de pertencimento a uma comunidade, que dá sentido à vida, tanto aqui como no além.
A natureza da vida espiritual é ainda um campo aberto a pesquisas. Nosso Lar tem um conteúdo inesgotável, atirado ao futuro como semente. Abre as cortinas do além e nos revela que a vida é isso mesmo, sem grandes saltos. Em toda parte, mudamos aos poucos o nosso olhar, evoluímos. Página por página. Infinitos capítulos.

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