Psicografia, mais que consolação: informação, (trans)formação


Muito mais do que consolar os familiares, as mensagens psicografadas trazem informações, instruções, sabedoria, além do testemunho da continuidade da vida. 

Muitas pessoas aguardam por mensagens de seus parentes, porém o processo não é tão simples como enviar e receber um e-mail. Em primeiro lugar, não basta a família querer. É necessário o desejo da pessoa desencarnada em mandar alguma notícia. Caso o espírito tenha intenção de enviar algum recado pela psicografia, é preciso autorização. Sim, pois os mentores analisam as condições e estrutura da família, que benefícios ou prejuízos essa mensagem pode trazer para todos. Se uma psicografia tende a provocar polêmicas e brigas em família, ela não poderá se realizar. São verificadas também as condições do espírito que pretende se comunicar, seu equilíbrio emocional e espiritual, pois se não estiver em condições, sua presença pode trazer desequilíbrios para os familiares. 

Uma vez que esses fatores estejam já resolvidos - ou seja, o espírito tem condições e a família também -, se não forem espíritas, os mentores providenciarão a oportunidade para que busquem uma casa espírita onde a mensagem poderá ser recebida.

Então, vem a parte crucial: o conteúdo da mensagem. Não pode trazer informações que causem choques por apresentarem algo que a família não está preparada para receber e, ao mesmo tempo, deve trazer consolo e novas perspectivas não só para os familiares, mas também para todos que tiverem acesso à mensagem. Mesmo com todo esse esforço da espiritualidade, algumas vezes o conteúdo que o espírito pretende transmitir não corresponde aos pontos de vista que possuía quando encarnado, já que pode ter ampliado um pouco mais seus horizontes. A linguagem também pode sofrer interferência do médium. Mas as mensagens trazem sempre a emoção e as pistas que indicam a presença real do ente querido.
Finalmente, a adaptação do espírito ao médium, para que suas palavras sejam transcritas no papel. Processo bem complexo descrito em livros diversos como “Nos domínios da mediunidade", de André Luiz/Chico Xavier, entre outros. 

Por essa razão, muitas vezes, mesmo sem receber uma mensagem pessoal de um parente querido, a leitura de mensagens para familiares de terceiros são transformadoras da visão de mundo e promovem a superação do luto e uma atitude positva diante da vida. É a misericórdia divina beneficiando o máximo de pessoas, "otimizando" os recursos disponíveis para secar as lágrimas e amenizar toda dor.

Se você "perdeu" uma pessoa querida, leia alguns dos livros com  mensagens psicografadas dos que partiram. Seguem algumas sugestões de livros, com coletâneas de psicografias de Chico Xavier, que apresentam diversos elementos de identificação dos autores espirituais: "Jovens no além", “Vozes da outra margem"; "Somos seis". As psicografias de Chico Xavier sempre impressionam pela fidelidade e por preservar as características da linguagem usual do espírito comunicante.

Abaixo, uma mensagem de Augusto César Netto, que nasceu em 27 de setembro de 1942 e faleceu em 27 de fevereiro de 1968, do livro “Somos Seis”.

Querida mamãe, aquele abraço e aquela prece de sempre a Jesus por sua fortaleza e paciência.
Seu coração pede uma palavra e me arranca, na medida do possível, para trazer ao seu carinho aquele alô de todos os tempos, enviando a você e a meu pai com as meninas e o nosso pessoal o beijo de sempre.
Sigamos com otimismo e fé Viva em Deus. O ponto para ser alcançado é a felicidade de todos.
Fale à Maria Otília para se alegrar. Tudo vai bem com ela e com o Walter. Tratamento do corpo é necessidade. Imposição da vida. Devem atender a isso, mas a maternidade com ela vai sendo muita bem amparada. O amigo que veio e voltou precisa refazer-se. Essa o a verdade. Não posso bancar a criança, dando uma de abelhudo, mas o tempo dirá quem é esse generoso amigo que procura voltar pelos braços dela com as mãos firmes.
Nosso pessoal por aí costuma tratar a gente por mortos. Isso, às vezes, dificulta o intercâmbio. Mas com a experiência da vida tudo vai melhorando. Mãezinha, diga ao meu pai que a vida é luta. Luta da pesada, para perdermos os pesos que nos afastam da Espiritualidade Superior. Rogo a ele não chorar ao ler esta carta. Da vez passada, quase que entrei em grande aperto com as lágrimas do pessoal. Quando minhas pobres notícias foram abertas, fiquei tão emocionado com o carinho de meu pai molhando o papel com o pranto forte.
Felizmente, mamãe, o seu coração, embora golpeado de saudade, estava firme. E quando as lágrimas brilhavam nos seus olhos, lembro-me de que você procurava fixar meu retrato, fazendo força para alegrar-se.
O que puderem suportar com paciência, suportem. Aqui é o que a gente fez de si mesmo, o que fez aos outros ou pelos outros é o que vale. Nossa oficina de modelagem espiritual está funcionando. Todos podemos transformar-nos, construindo em nós mãos de paz se espalharmos a paz, verbos de luz se cultivarmos a luz em nossas palavras, pés de alegria se soubermos caminhar no rumo do bem, olhos e ouvidos de bênçãos se nos dispusemos a abençoar sempre.
Quem diz aqui que o relógio não existe de nosso lado? Lembranças explodem e as palavras querem tomar forma no lápis, mas o nosso caro Doutor Bezerra  me diz calmo: "agora, meu filho, já chega". Não devo internar-me em novos assuntos. Mas termino, mãezinha, pedindo a sua serenidade e paciência. Sua saúde melhorará cada vez mais com a sua calma crescendo e com a sua compreensão avançando para cima.
Creia em nossa união de todos os dias. E abrace este rapaz que o seu carinho colocou neste mundo. Não e o melhor, mas é seu.

Querida mãezinha, a mensagem está pronta, mas a saudade é um problema que não foi resolvido. Entretanto, estamos felizes. Temos fé e esperança e isso é muito no Tudo que é Deus, no amor com que nos amamos. Muito carinho e aquele beijo do seu filho
Augusto
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