domingo, 6 de junho de 2010

Espírito: ser ou não ser?

Quando a ciência expulsou de seus laboratórios a espiritualidade, o transcendente, deixou-nos mais pobres. Sem abordar o ser humano integral, busca paradigmas de classificação, seleção de dados  observáveis e possíveis de serem  controlados, transformou a vida em uma engrenagem mecânica, química, biológica. O foco na materialidade, ao longo dos anos, formou uma sociedade consumista, imediatista e individualista. A busca da felicidade imediata esvaziou os conteúdos psicológicos mais profundos, que somente podem ser conquistados a partir do direito de chorar, rir, ganhar, perder,  vivenciar a diversidade de emoções, frustrações e vitórias que nossa trajetória pessoal possibilita. 

Nunca, em toda a história, a humanidade colocou o sentido da vida na plena satisfação dos desejos e das necessidades materiais, como hoje. Depressões, transtornos, pessoas frágeis diante de situações difíceis são consequencia direta desta filosofia em que mais vale parecer do que ser. A publicidade coloca todo o seu conhecimento e competência para transformar objetos em pessoas e pessoas em objetos. O carro tem personalidade, sentimentos e as pessoas são ferramentas.  Outras consequencias poderiamos citar da perspectiva materialista. Por exemplo, a pena de morte, o homicídio,  só se justificam pela crença de que a morte é o fim, que existem pessoas que não merecem viver.

A retomada fé na vida espirtual, por outro lado, nos humaniza, somos todos da mesma essência, independente da aparência. Como seres eternos, não podemos ser imediatistas, pois toda a vida na terra não passa de um segundo na eternidade. Quando pensamos assim, temos esperanças,  já que os vínculos de amor são indestrutíveis e nossa individualidade não se acaba. Tudo o que vivemos, que choramos, aprendemos,  amamos,  pertence a nossa alma. Aprendemos mais sempre, para sempre.  Para citar o mesmo exemplo, a pena de morte não se justifica, pois é impossível matar o espírito, que com a perda do corpo  pelo assassinato institucionalizado,  na vida espiritual pode  tornar-se mais revoltado e perigoso para os "vivos".  Ao mesmo tempo, não considerando a morte como fim, há a consciência do reencontro com aqueles que amamos, no futuro. A saudade substitui a revolta pela partida de um ente querido. E há o tempo da reconstrução, do crescimento, sem culpa, mas com responsabilidade. Haverá sempre tempo de desenvolver o amor mais abrangente.

Considerarmo-nos espíritos em  evolução, significa caminhar para frente, mas não abandonar a bagagem que ficou para trás. Observar com o olhar atual, os conteúdos de nossos ancestrais, que através de ritos diversos  comunicavam-se com os mortos, com o divino, com o mundo espiritual. Penso que o espiritismo vem recuperar e reformar o conteúdo desta bagagem, esperando que a ciência segure uma das alças, e assim,  bunsque o caminho que leva a Deus. É preciso deixar de lado o chavão de que "não se sabe o que existe depois da morte porque ninguém até hoje voltou para contar". Voltaram muitos, com suas mensagens e testemunhos muito precisos, descartados pelo preconceito e comodismo da maioria da população. Ler as cartas de familiares "mortos" psicografadas por Chico Xavier é ter acesso a este mundo espiritual de modo simples e belo. A civilização, longe da espiritualidade afasta-se de si mesma, pois  no conceito de vida está o "pós vida", questão fundamental de todos os tempos. É hora de viver como espírito encarnado,  pensar  no sentido da existência e fazer planos a longo, longuíssimo prazo.
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