quinta-feira, 15 de abril de 2010

Curiosidades sobre o filme "Chico Xavier"

Assisti ao filme. Realmente um trabalho bem feito, emocionante sem se tornar piegas. Um Chico humano e excepcional. Conflitos, trabalho, uma vida que, sabe-se desde o início, não cabe em um filme. Marcel Souto Maior lançou um livro com diversas informações, entrevistas, bastidores, opiniões dos envolvidos e situações curiosas das filmagens. Comentarei alguns trechos.

"Falei pro Nelson: ´E agora? dois ex-comunistas e dois ateus juntos num filme sobre Chico Xavier. Como vamos fazer?´" (Daniel Filho)
Esta frase de Daniel Filho representa algo que acontece com frequência. Espíritas que foram militantes de esquerda. Talvez os momentos de perda e dor aproximem ao espiritismo as pessoas questionadoras, pois ele traz alguma explicação viável e consolo para os problemas da vida, da morte e do destino. Outro ponto de convergência pode ser o desejo do bem da humanidade que move os idealistas e os espíritas. Diante da morte, do fenômeno espiritual, frente à enfermidade da vida terrena,  parece que toda ideologia se cala. E Chico transitava entre os universos do visível e do transcendente. No limite, uma luz, um consolo, a esperança.

"Senti desde o início uma força muito poderosa: a presença de Chico" (Nelson Xavier)
Nelson Xavier continua ateu. Mas afirma acreditar que, de algum modo, a nossa identidade continua viva após a morte e pode até mesmo se comunicar com o mundo terreno. Me lembrou Mario Quintana. Em seu livro A vaca e o hipogrifo, coloca: 
"Alguém me disse, com a voz embargada, que agora sim, estava convencido da existência de Deus, porque os trabalhos psicografados de Humberto de Campos eram evidentemente dele mesmo.
– Mas isto não prova a existência de Deus... Prova apenas a existência de Humberto de Campos." (Quintana, 1977, p. 51)
Não sabemos se ainda pensa assim nosso querido poeta Quintana. Mas sua fina  ironia  (vamos imaginar) pode tê-lo aproximado de Chico, com seu humor mineiro, e até....de Deus. Quem sabe?

Nelson Xavier, transformado em Chico, percorre o hospital do Rio de Janeiro que reproduz o Hospital do Fogo Selvagem em Uberaba. Marcel relata: "[...] Um dos figurantes é um menino que, vítima de uma doença grave, frequentou hospitais e centros espíritas em busca de socorro.
A mãe observa a cena à distância e quando Nelson pousa a mão na cabeça do menino, cai em uma crise de choro incontrolável.
- Quem abençoou meu filho foi Chico Xavier."
A coincidência do sobrenome entre o ator e a personagem parece que não é casual. Impressiona. É como se tivéssemos o Chico de volta (encarnado, bem entendido, porque em espírito, quem duvida?).

Outro fato interessante no processo de produção do filme foi o caso da chuva. As filmagens estavam sendo realizadas em uma fazenda, próxima a Paulínia. Chovia torrencialmente em São Paulo, em Campinas e em Paulínia, mas não na fazenda. Todos que chegavam se espantavam. Mas Daniel Filho, como bom ateu, insistia que isso não tinha nada a ver com o Chico. E quando deu o último "corta!"... desabou o temporal. 

O livro relata ainda fatos curiosos diversos, como  o do cachorro, que se incluiu no filme, seguindo de modo ostensivo o grupo, e que se chamava...Chico. 
Após assistir ao filme, sentir o clima que envolve a todos que assistem, verificar tanto envolvimento de atores, figurantes e equipe de produção, deixo aqui ao final um velho jargão,  um tanto ultrapassado, mas neste caso verdadeiro: CHICO NÃO MORREU!

Fonte das citações: Marcel Souto Maior. Chico Xavier - a história do filme de Daniel Filho.
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