sábado, 6 de março de 2010

Aura Celeste: Um fenômeno, esta mulher


Dentre as grandes mulheres atuantes no espiritismo brasileiro, quero aqui falar da quase desconhecida Aura Celeste. Contemporânea de Bezerra de Menezes, quando presidente da Federação Espírita Brasileira, foi por ele orientada em seu desenvolvimento mediúnico. Muitas vezes, quando falamos em fenômenos excepcionais, há grande  desconfiança por parte de tantos espíritas que radicalizam no "crivo racionalista", quase se assemelhando aos ateus e materialistas. Por esta razão, destacamos o fato de que essa mulher valorosa e importante para a história do espiritismo,  anônima  nos dias atuais, era dotada de dons mediúnicos dos mais diversos, entre eles a bilocação, clarividência, cura, psicografia, psicofonia, entre outras capacidades de seu próprio espírito sensível e inteligente. Abaixo, trechos de sua biografia, fragmentos  da vida de uma mulher incomum:

Adelaide Augusta Câmara, mais conhecida pelo pseudônimo de AURA CELESTE, foi uma das mais devotadas figuras femininas do Espiritismo no Brasil.

Originária de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, onde nasceu em 11 de janeiro de 1874, Adelaide veio para a antiga Capital Federal em janeiro de 1896, graças ao empenho de alguns adeptos do Protestantismo, a cuja religião pertencia, para lecionar no Colégio Ram Williams, o que fez durante algum tempo com muita proficiência. Depois, organizou na própria residência um curso primário, no qual ensinou as primeiras letras a muitos homens ilustres do meio político e social brasileiro. 

No ano de 1898, Adelaide começou a sentir as primeiras manifestações de suas faculdades mediúnicas. Nessa época, Bezerra de Menezes, grande apóstolo do Espiritismo nacional, dirigia os destinos da Federação Espírita Brasileira, revestido do prestígio que lhe davam crentes e descrentes, e o Espiritismo era o assunto de todas as conversas, graças não só aos fenômenos e curas mediúnicas, mas também à propaganda, livros e imprensa.

Sob a sábia orientação de Bezerra de Menezes, Adelaide Câmara começou notável carreira mediúnica como psicógrafa no Centro Espírita Ismael. De reconhecida clarividência, Bezerra prognosticara que, com as prodigiosas faculdades de que era dotada, um dia a médium assombraria a todos. Sua profecia não tardou a se cumprir, pois logo Adelaide começou a trabalhar, como médium auditiva, na propagação da Doutrina, fazendo conferências e receitando, com tal acerto e exatidão, que seu nome se irradiou por todo o País.

[...] Com o casamento em 1906, os afazeres do lar e, mais tarde, a educação dos filhos, Adelaide afastou-se da propaganda ativa nos Centros, mas não deixou a militância. Nas horas de lazer, em sintonia com os guias espirituais, recebia e produzia páginas admiráveis, que foram reunidas na obra Do além, em 21 fascículos,  Foi então que adotou o pseudônimo "Aura Celeste" com o qual ficou conhecida no Brasil inteiro. Em 1920, retornou à tribuna e aos trabalhos mediúnicos com vigor e entusiasmo. De compleição franzina, o organismo de Aura Celeste ressentiu-se; nem por isso ela deixou de cumprir seus deveres. O dr. Joaquim Murtinho era o médico espiritual que, por intermédio de Aura, trabalhava no atendimento a enfermos e necessitados, diagnosticando e curando quantos lhe batiam à porta.

Nesse período, Aura desenvolveu espontaneamente diversas faculdades mediúnicas. Além das faculdades de incorporação, audição, vidência, psicografia, cura e intuição, Aura Celeste possuía também a extraordinária faculdade da bilocação. Graças a ela, Aura operou curas em diferentes lugares do Brasil, aos quais se transportava em “desdobramento fluídico”, sendo visível seu corpo perispirítico. Foi o que aconteceu em Juiz de Fora e Corumbá (fato provado), em que enfermos sob seus cuidados nas duas cidades a viram aplicar-lhes passes.

Poetisa, conferencista, contista e sobretudo educadora, Aura Celeste deixou excelentes obras literárias e de doutrina, em prosa e verso, assinando-as quase sempre com o pseudônimo. Foi assim com "Vozes d'Alma", versos; "Sentimentais", versos; "Aspectos da alma", contos; "Palavras espíritas", palestras;"Rumo à verdade"; "Luz do alto". Esparsos em revistas e jornais espíritas, há muitas poesias e artigos doutrinários de sua autoria.

Leal de Souza, grande jornalista e literato, referiu-se a Aura Celeste como “a grande musa moderna, a musa espiritualista”.   

Adelaide Câmara desencarnou na cidade do Rio de Janeiro em 24 de outubro de 1944.

[...] O Asilo Espírita “João Evangelista”, no Rio de Janeiro (que Aura Celeste ajudou a fundar e ao qual dedicou-se por muios anos), em sede própria, permanece atestando a obra e o devotamento à causa do bem daquela nobre mulher que se chamou Adelaide Augusta Câmara e que o Brasil conheceu como Aura Celeste.

Fonte: WANTUIL, Zênus. Grandes Espíritas do Brasil – 53 biografias.

Aura Celeste merece nossa reverência, como uma grande mulher que deixou no mundo um rastro de luz.
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