quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pó da terra, sopro divino: corpo e alma


"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente" (Gênesis 2:7).


Esta passagem da Gênesis é poética e verdadeira. Representa a natureza terrena e divina do ser humano. Apresenta-se na terra com o corpo e o espírito. Sem o espírito, que é o sopro divino, não é considerado um vivente. Mas o pó da Terra é o mesmo que forma todos os corpos celestes. Portando, se somos formados de partículas terrestres, somos estrelas vivas. Se assim acontece, podemos dizer que Deus está na constituição de nosso corpo e de nosso espírito. Não temos, por isso, como resistir às suas Leis. Dois livros, psicografados por Chico Xavier, abordam a gênese da vida na Terra, colocando a atividade espiritual envolvida nesse complexo processo. São os livros Evolução em dois mundos, de André Luiz, e A caminho da luz, de Emmanuel. André Luiz tenta nos mostrar a dimensão de nossa galáxia, comparando-a com uma cidade imensa.

“NOSSA GALÁXIA — Para idearmos, de algum modo, a grandeza inconcebível da Criação, comparemos a nossa galáxia a grande cidade, perdida entre incontáveis grandes cidades de um país cuja extensão não conseguimos prever. Tomando o Sol e os mundos nossos vizinhos como apar¬tamentos de nosso edifício, reconheceremos que em derredor repontam outros edifícios em todas as direções. Assestando instrumentos de longo alcance da nossa sala de estudo, perceberemos que nossa casa não é a mais humilde, mas que inúmeras outras lhe superam as expressões de magnitu¬de e beleza.
Aprendemos que, além de nossa edificação, salientam-se palácios e arranha-céus como Betelgeuze, no distrito de Órion, Canópus, na região do Navio, Arctúrus, no conjunto do Boieiro, Antares, no centro do Escorpião, e outras muitas residências se¬nhoriais, imponentes e belas, exibindo uma glória perante a qual todos os nossos valores se apagariam. Por processos ópticos, verificamos que a nossa cidade apresenta uma forma espiralada e que a onda de rádio, avançan¬do com a velocidade da luz, gasta mil séculos terrenos para per¬correr-lhe o diâmetro. Nela surpreenderemos milhões de lares, nas mais diversas dimensões e feitios, instituídos de há muito, recém-organizados, envelhecidos ou em vias de instalação, nos quais a vida e a experiência enxameiam vitoriosas.” (Evolução em dois mundos, p. 10)

Um grão de poeira azul na imensidão. É a Terra. Local onde moramos, vivemos, amamos. Não é a única casa do Universo. Mas nenhuma outra acolheria nosso corpo, ou contemplaria nossas necessidades vitais. Emmanuel descreve o momento  da gênese, quando ocorre integração da matéria bruta com o sopro divino, nos primórios do planeta.  A Terra estava pronta, a partir daí, para gestar a vida, os seres viventes e em longo ciclo de transformação, o ser humano.

“E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso. Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra. Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens. [...] Essa matéria, amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida. O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre, e se essa matéria, sem forma definida, cobria a crosta solidificada do planeta, em breve a condensação da massa dava origem ao surgimento do núcleo, iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos”. (A caminho da luz, p. 23).

Verificamos que, ao longo de ambos os livros,  os autores espirituais colocam Jesus como um dos Arquitetos Celestes, designado por Deus para organizar e construir o nosso planeta. Jesus era o Verbo do Princípio. Por isso, embora seja criatura, é considerado erroneamente como o próprio Criador.Esse último trecho, por exemplo, explica de um modo muito belo  COMO, por Suas "mãos", se manifestou o sopro divino. Apenas esses parágrafos já constituem material para longo estudo. Um novo olhar sobre a Gênesis, talvez um ponto de apoio para a ciência. Porém, a vida em si é ainda um mistério profundo. Desde os primórdios nosso espírito existe. E sua destinação, como ser eterno, está além das estrelas. Celebremos.
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