domingo, 19 de julho de 2009

Carma, destino, liberdade

Carma ou karma é um termo de uso religioso dentro das doutrinas budista, hinduísta ejainista, adotado posteriormente também pela Teosofia, pelo espiritismo e por um subgrupo significativo do movimento New Age, para expressar um conjunto de ações dos homens e suas conseqüências. Este termo, na física, é equivalente à lei: “Para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário”. Neste caso, para toda ação tomada pelo homem ele pode esperar uma reação.

Destino diz respeito à ordem natural estabelecida do universo. Geralmente é concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos provocados ou desconhecidos. Encadeamento de fatos supostamente fatais; fatalidade. Entidade misteriosa que determina as vicissitudes da vida.

Liberdade é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional. Isto é, ela qualifica e constitui a condição dos comportamentos humanos voluntários. Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. Poder de exercer livremente a sua vontade

(Fonte: Wikipedia)

Somos espíritos eternos. Esta é a afirmativa da maior parte das religiões. Se somos espíritos eternos, há um criador, uma força inteligente que governa o universo e tudo o que nele habita. Entretanto, quando pensamos em “vida eterna”, muitas questões surgem. Usamos palavras novas para conceitos antigos, sem aprofundamento. Esta falta de filosofia, reflexão e poesia desumaniza e se reflete em nossas atitudes cotidianas em forma de consumismo, imediatismo, incoerência entre discurso e prática. Por exemplo, se acreditamos em “destino”, no sentido literal, podemos dizer que nascemos com nosso presente e futuro escritos e previstos. Não conseguiremos jamais escapar desta cadeia de acontecimentos e até pensamentos. Independentemente do que façamos, o que tiver que acontecer, fatalmente acontecerá. A liberdade, sob esta visão, não existe. Ou podemos dizer que temos por destino o céu ou o inferno, o juízo final etc. Sempre definitivo.

O espiritismo resgatou o conceito oriental de karma, substituindo a concepção de destino para “causa e efeito”, pela crença na reencarnação, no “a cada um segundo suas obras”. Deste ponto de vista, os acontecimentos atuais são resultado do “mau uso” da liberdade no passado. Portanto, o presente é o efeito de uma causa anterior. “A causa é a mola oculta que aciona a vida universal” (Victor Hugo/Fernando de Lacerda, No país da luz III, p. 205). Entretanto, algumas pessoas argumentam que, se existem pessoas sofrendo, estão “expiando” erros passados e por isso “merecem” tal situação. Significa, no fundo, e sem que a pessoa muitas vezes perceba: “bem feito para ele, que está sofrendo”. Ora, entre muitos equívocos e confusões podemos dizer que os que assim se pronunciam se sentem “superiores” e algumas vezes “vingados” em relação a outras pessoas. Ou ainda, que têm como paradigma de felicidade as conquistas materiais, o sucesso, a saúde. Além disso, há uma outra tendência, a de atribuir também ao karma uma idéia fatalista: “não tenho o que fazer porque este é meu carma”.

Norteados pela crença na eternidade da vida, na justiça, misericórdia e Amor de Deus, destacamos alguns pontos para equacionar a relação entre causa, efeito e liberdade:

1. Em qualquer situação, a nossa atitude é mais importante que os acontecimentos. É o que revela a nossa verdadeira face para nós e para os outros; é o que possibilita a superação de nossos limites.

2. Luta, aprendizagem, desafio e aperfeiçoamento são, na verdade, as palavras que melhor definem “problema”, “dificuldade”, “sofrimento” e “superação”.

3. O ponto de partida não pode ser pior ou igual ao ponto de chegada. Desta forma, a função de cada um de nós é colaborar com Deus para o desenvolvimento da sociedade em geral e das pessoas mais próximas. Assim é o processo de evolução: compartilhado, solidário, fraterno, baseado no amor.

4. Estamos a cada dia criando novas causas, a ponto de muitos problemas atuais serem o resultado de atitudes nossas recentes, desta mesma encarnação. Os efeitos de causas passadas podem ser atenuados ou mesmo transformados a partir de nossa atitude de renovação. Começamos a girar o leme em direção a outros horizontes. Modificando nosso interior e nossas atitudes, poderemos evitar muitos obstáculos desnecessários à nossa evolução como espírito eterno que somos.

5. Finalmente, é necessário estudar, fazer uma revisão de nossa filosofia de vida. Qual a nossa prioridade real? O que nos move e motiva hoje é o que teremos em nosso caminho amanhã. Por esta razão Jesus disse: “onde estiver o teu tesouro, aí estará teu coração”. Onde está o nosso tesouro?

Sobre esses assuntos:

O problema do ser, do destino e da dor – de Léon Denis

Evolução em dois mundos e Ação e reação – André Luiz / Chico Xavier



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