Uma história triste, presente do pretérito, perfeito


Muito interessante o romance Uma história triste, tradução de Hermínio C. Miranda, que será lançado em breve pela editora Lachâtre. Trata-se de uma história escrita por meio de uma prancheta, que era acionada mediunicamente pela senhora Lenore Curran, nos Estados Unidos, com o auxílio de variados assistentes. O livro foi publicado em 1917. A autora espiritual, que se apresenta como Patience Worth, afirma ter sido uma senhora inglesa no século XVII, e usa ao longo de centenas de páginas o inglês arcaico característico daquela época. A médium, uma pessoa comum, que nunca havia estudado os temas tratados na narrativa, não teria como produzir tal texto por si, o que causou impacto nos meios jornalísticos e literários do começo do século XX. É um trabalho que o tempo tirou de cena, mas que ressurge agora, no Brasil, com toda a força e beleza que a espiritualidade o dotou. A sensibilidade e competência de um pesquisador curioso nos oferta este presente do pretérito. O livro é muito bonito, a história chama atenção pelos simbolismos, conteúdo e contexto. Segue um trecho da entrevista de Hermínio, na qual ele fala sobre essa tradução.

"Houve algum livro que lhe deu maior prazer na execução de sua tradução?
 
A História Triste [no prelo]. É um livro raríssimo, discutidíssimo. Foi psicografado por uma médium americana e a entidade que se apresentou a ela se dizia uma mulher nascida na Inglaterra que migrou para os Estados Unidos no século 17. Este livro tem uma linguagem impressionante, antiga, arcaica, com estilo similar à
época de Shakespeare. Deu um trabalho... Mas em todo caso, foi um livro que traduzi com prazer. Quando ele foi lançado [na segunda década do século 20], o fenômeno interessou a jornalistas, pensadores, cientistas, filósofos. A jovem senhora, casada, que escreveu, não tinha a mínima condição para fazê-lo. A história se passa na Palestina, do dia em que Cristo nasceu até quando ele foi crucificado. Levei dois anos trabalhando nele. A autora espiritual viveu lá. Conhece a história, a geografia, a política, a religião, o costume daqueles povos. Sabe de tudo. Tem um respeito e uma admiração incrível pelo Cristo. Ele teria sido uma escrava levada da Grécia pelos romanos, e César a deu de presente ao Tibérius – futuro imperador. Ela era uma mulher lindíssima, mas engravidou. Tibérius não queria complicação, pois já sabia que iria suceder Augusto no trono, então pediu que seus soldados sumissem com ela no mundo. E ela saiu pelo mundo afora e acabou na Palestina. Seu filho nasceu nas proximidades de Belém na mesma noite em que nasceu Jesus. O filho dela é terrível, se transformou num criminoso. Então, dá-se o contraste entre o Cristo, a luz, e ele, a sombra. Ela conta coisas inacreditáveis da época. Uma história muito bonita que despertou o grande interesse pela competência literária, mas o povo não estava preparado para aceitar a história fantástica que tinha por trás daquilo tudo. Esse livro me causou muita emoção. Envolveu-me muito com aqueles tempos também."

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