domingo, 22 de março de 2009

Por que Jesus contava histórias?


Parábola:  originária do grego parabole, pa·ra·bo·lé (literalmente: colocar ao lado ou junto) significa narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implicita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas.

"Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na. E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu porque não tinha terra funda. Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na. E outra caiu em terra boa, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!" (Mat. 13:1-23).

É interessante notar a estratégia que Jesus usava para transmitir ensinamentos profundos e complexos com objetivo de eternizar estas lições. A história atravessa o tempo, dá sentido à filosofia, atrai a mente, mas o seu alvo é o coração. Ainda que o mundo se transforme, que não existam mais moinhos, talentos, príncipes . O contexto das boas histórias permanece sempre atual, ainda que em cenários antigos. O "era uma vez" é quase irresistível. Desta forma, Jesus pregou virtudes e ética em um mundo brutalizado e ignorante das coisas divinas. Divulgou a racionalidade e a inteligência em um mundo de superstições e desrespeito à vida; mas acima de tudo divulgou a esperança, falando do Reino de Deus, de portas abertas para aqueles dispostos a viver o Amor trascendente e abrangente. Quando ainda não existia a escrita, juntava -se a comunidade em torno dos sábios, que pelas histórias, analogias e metáforas transmitiam toda a cultura e sabedioria dos ancestais. Assim, cada pessoa poderia interpretar a história de acordo com o  seu próprio repertório interior, sem imposição ou sem revelações precipitadas. Jesus usou com muita competência este recurso e ainda envolveu com seu amor o conteúdo das palavras, iluminando as narrativas, que ficaram feito estrelas, suspensas no éter, e ainda hoje nos guiam. Dr Bezerra de Menezes em uma mensagem, faz menção às lições contidas em algumas destas parábolas:.

(...)O Evangelho de Jesus é o mais completo livro existente. O maior compêndio de amor e sabedoria.

Jesus foi o maior Mestre entre todos. Detinha o saber e o poder e, ainda que possuísse todo e pleno conhecimento, ensinou de modo que suas lições fossem compreendidas por aqueles que já tinham maturidade espiritual.

As parábolas representam uma síntese de seus ensinamentos. Se lidas e interpretadas com acuidade, revelam o que Jesus quis deixar como uma súmula para a vida.

Exemplificamos algumas:

Na. parabola do fariseu republicano - a lição da compaixão e da caridade.

Na do juiz e a viúva - o dever de orar sempre, sem nunca desanimar.

Na do filho pródigo - o amor paternal e a aceitação ao livre arbítrio.

Na dos primeiros assentos e convivas — a humildade.

Na do rico insensato - o verdadeiro tesouro, que é o da alma.

Na dos dois servos - a fidelidade.

E ainda contou sobre o reino dos céus, em várias outras.

Entretanto, considero que as mais belas parábolas, e que produzem o mesmo ensinamento, são as parábolas do semeador e dos talentos.

Em ambas, Jesus fala sobre os recursos que Deus dá à sua criatura, cabendo a ela desenvolvê-los em benefício próprio, movimentando o seu esforço pessoal e a sua união ao Pai.

Sugere que esses talentos, se aproveitados, são como a semente que caiu em solo fértil e floresceu,produzindo frutos.

Diz, ainda, que é grande a responsabilidade daquele que recebe esses recursos, pois: "Àquele que tem, mais lhe será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até aquilo que tem, ser-lhe-á tirado".

Esta citação consta de ambas as parábolas (...) (trecho da mensagwem de Dr Bezerra de Menezes, 25/01/2009)

Bem que tentaram anular sua filosofia, calar suas narrativas, matando o grande contador de histórias sábias. Mas a sua vida, entre todas as histórias, foi a mais bela. E por isso, até hoje as parábolas vivem. Porque moram na alma imortal, e aproximam de nós o Reino de Deus, como gotas de orvalho que refletem a luz do sol.
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