sábado, 20 de dezembro de 2008

A Bela Flor que a dor espanca


Florbela Espanca: poesia, solidão, suicídio e ...sempre poesia
A vida de Florbela Espanca foi de lutas e mais lutas, solidão, amor, inteligência, sofrimento e Amor. O mundo não a compreendeu. Os preconceitos da Portugal do século XIX -XX a condenaram. Mas a beleza de seus poemas ecoam e repercutem para sempre, na alma portuguesa e brasileira de todos os tempos. Segue abaixo uma muito breve biografia.

Florbela Espanca nasceu em 1894 Vila Viçosa (Alentejo, Portugal). Morreu em 1930. matosinhos, Portugal.
Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), que morreu com apenas 36 anos, «de uma doença que ninguém entendeu», mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose. Registada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se como curiosidade que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora, e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou. Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem Florbela estava ligada por fortes laços afetivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente, um «edema pulmonar». Entretanto, a verdadeira causa de sua morte foi o suicídio. Alguns afirmavam-na amante do próprio irmão de quem cuidava e com quem vivia. Mas nada se sabe ao certo sobre isto.

Eis que após trinta anos de sofimento na espiritualidade, surge Florbela, em novo soneto, que dialoga com um de seu mais tristes poemas de quando estava encarnada. Veja abaixo e compare, o primeiro é de Florbela encarnada e o segundo, spicografado por Jorge Rizzini.Alémm destas, há outras mensagens psicografadas por Chico Xavier e Jorge Rizzini.

PARA QUÊ?

Tudo é vaidade neste mundo vão...
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisem pelo chão!...

Beijos de amor! Pra quê?... Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!

MINHA CRUZ

Revejo novamente a minha cruz!
Voltam com ela todos os cansaços...
Quem me cortou os pulsos?Doem-me os braços!
E essa morta? Quem trouxe à meia luz?

Tem a face de mármore... os pés nus...
Por onde, dize lá, foram teus passos?
Tens nos olhos tristes, puros, olhos baços.
-Essa morta sou eu! Cristo Jesus!

Ninguém tanto sofreu num só momento
Estava viva e soluçava ao vento!
E eu era a louca que tombara morta


Trinta anos a minha alma a vaguear...
Por certo alguém a viu nesse lugar,
A bater, sempre em vão, de porta em portal

(Antologia do Mais Além, Jorge Rizzini)


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